Capriles formaliza pedido de recontagem e tensão diminui na Venezuela
Internacional|Do R7
Nélida Fernández. Caracas, 17 abr (EFE).- Três dias após as eleições presidenciais, a tensão social começou a diminuir na Venezuela depois de o opositor Henrique Capriles formalizar nesta quarta-feira o pedido de recontagem dos votos perante o Poder Eleitoral, embora o lado do presidente eleito, Nicolás Maduro, anunciado como ganhador com apenas 1,83 ponto percentual de vantagem, tenha insistido em acusações. O chefe nacional da campanha opositora, Carlos Ocaríz, informou após fazer o pedido perante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que solicitou a revisão de "cédulas, atas, máquinas, impressões digitais e cadernos" de votação, e que se reuniu com a presidente do CNE, Tibisay Lucena, que prometeu responder sobre o caso "o mais rápido possível". A Conferência Episcopal venezuelana também se pronunciou sobre o tema e, além de pedir pelo diálogo, se ofereceu para mediá-lo e afirmou que a recontagem "daria tranquilidade à população" e "reforçaria a autoridade moral" do CNE. Além disso, os seguidores de Capriles foram convocados por seu líder para reclamar em suas casas com panelaços e manter os protestos fora das ruas para evitar a violência que, segundo o candidato opositor, é impulsionada pelo governo a fim de evitar uma nova apuração dos votos. Capriles se isentou de culpa pelos fatos violentos ocorridos na segunda-feira passada, quando protestos deixaram um saldo de oito mortos e mais de 60 feridos em incidentes pelos quais há 170 detidos. Os confrontos passaram agora a um âmbito político no qual Capriles insiste que as irregularidades das eleições podem estar afetando mais de um milhão de votos, e o presidente eleito afirma que os falecidos e feridos da segunda-feira foram vítimas de um "ataque fascista". Maduro, sucessor de Hugo Chávez, chamou Capriles reiteradamente de "assassino", e disse que ele terá que ir à justiça por considerá-lo responsável pelos protestos da segunda-feira após sua proclamação como presidente eleito perante o CNE. O chavista declarou como "mártir" e "herói" cada uma das oito pessoas mortas nessas manifestações e informou que ordenou o ministro do Interior, Néstor Reverol, e a Polícia Científica a acelerarem as investigações para encontrar os responsáveis por estas mortes. No entanto, Maduro assegurou que acatará "total e plenamente" a decisão do CNE a respeito da solicitação de revisão dos resultados das eleições pela oposição, embora tenha ressaltado que a Corte Suprema de Justiça (TSJ) já "aprovou os resultados". A presidente do TSJ assinalou que na Venezuela o sistema eleitoral é absolutamente sistematizado, de modo que a contagem manual "não existe". Maduro também disse que era "obsceno" o intervencionismo dos Estados Unidos nos assuntos internos da Venezuela, depois que o secretário de Estado americano, John Kerry, apoiasse Capriles em seu pedido de recontagem de votos. "Aí estão os Estados Unidos, John Kerry, do Departamento de Estado, falando da Venezuela. O que tem o senhor para falar da Venezuela? Se bastantes problemas econômicos, sociais e políticos assolam o povo dos EUA.", afirmou Maduro, que diminuiu importância do reconhecimento dos Estados Unidos. O Governo americano ainda não decidiu se reconhecerá ou não Maduro como presidente eleito, indicou Kerry em sua primeira alusão às eleições venezuelanas, que terminaram com resultados apretados: 7.575.506 de votos para Maduro contra 7.302.641 de Capriles. "Deve haver uma apuração", assegurou o secretário de Estado ao advertir, além disso, que, se os EUA comprovarem que houve "enormes irregularidades" no processo eleitoral, como denuncia a oposição, fará "perguntas sérias a respeito". EFE nf/cs/id (foto)












