Carlos Ghosn processa Renault para receber sua aposentadoria

Ex-CEO da empresa, empresário foi forçado a renunciar após sua prisão no Japão em novembro de 2018 e quer R$ 3,5 milhões por ano

Carlos Ghosn foi CEO da Renault

Carlos Ghosn foi CEO da Renault

WAEL HAMZEH/EPA/EFE

O brasileiro Carlos Ghosn entrou com uma ação contra a Renault na França para reivindicar o pagamento da aposentadoria da montadora francesa da qual era CEO, cargo do qual foi forçado a renunciar após sua prisão no Japão em novembro de 2018.

Para Carlos Ghosn, seus direitos a pensão representam cerca de 770 mil euros (R$ 3,5 milhões) por ano, acrescentando as ações que ele esperava atribuir. Também reivindica uma compensação de aposentadoria de 250 mil euros (R$ 1,1 milhão).

Em entrevistas realizadas em Beirute, capital do Líbano, para duas mídias francesas e divulgadas nesta segunda-feira (13), Ghosn justifica esse procedimento perante o Tribunal do Trabalho, alegando não ter renunciado formalmente como "número um" da Renault.

Ghosn diz que demissão foi 'uma farsa'

Após uma troca de cartas entre as partes defendendo seus interesses, o ex-executivo escreveu em meados de dezembro para a Autoridade de Mercados Financeiros da França (AMF) pois, em sua opinião, a comunicação financeira da Renault sobre sua saída estava errada.

E no final do mês passado, ele levou o caso ao Tribunal do Trabalho de Boulogne Bilancourt, a cidade dos arredores de Paris, onde está sediada a Renault.

"Minha demissão da Renault? É uma farsa", diz o brasileiro ao jornal Le Figaro, dizendo que seria inicialmente queria resolver a disputa amigavelmente e lembrou que estava preso quando deixou a empresa.

Renúncia ou aposentadoria?

Ele acrescenta que foi necessária a nomeação de um diretor-geral para substituí-lo e por isso assinou uma carta em 23 de janeiro de 2019 na qual disse: "Quero me aposentar das minhas funções para permitir que a empresa restaure sua governança".

O Conselho de Administração da Renault, reunido no dia seguinte, tomou nota do que ele interpretou, sem dúvida, como a "renúncia" de Ghosn, e fez isso em um comunicado.

Ele seguida, reduziu a remuneração de seu ex-diretor para o exercício de 2018.

Ghosn, em sua carta, havia apontado que estava deixando seus deveres, mas sem abrir mão de seus direitos.

Em entrevista à Europa 1, o empresário insiste que sua carta "resultou numa demissão que não foi".

A Renault não quis comentar sobre essa disputa, que terá uma audiência no final de fevereiro.