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China aumenta orçamento de defesa, gasta mais em segurança interna

Internacional|Do R7

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Por Ben Blanchard e John Ruwitch

PEQUIM, 5 Mar (Reuters) - A China divulgou nesta terça-feira mais um aumento expressivo nos gastos militares, mas pelo terceiro ano consecutivo o orçamento para a defesa será superado pelos gastos em segurança interna, num sinal da preocupação de Pequim com ameaças locais.

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A verba do Exército de Libertação Popular irá subir 10,7 por cento, chegando a 704,6 bilhões de iuanes (119 bilhões de dólares), enquanto o orçamento da segurança interna terá expansão ligeiramente menor, de 8,7 por cento, chegando a 769,1 bilhões de iuanes, segundo documento orçamentário divulgado no início da sessão anual do legislativo.

Os números indicam que o Partido Comunista está atento não só às disputas territoriais com o Japão e países do Sudeste Asiático e à maior presença dos EUA na região da Ásia/Pacífico, mas também à inquietação popular decorrente da corrupção, da poluição e dos abusos de poder, apesar do robusto crescimento econômico e do aumento da renda.

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O número de "incidentes coletivos" (como protestos) registrado pelo governo saltou de 8.700 em 1993 para 90 mil em 2010, segundo vários estudos patrocinados pelo governo. Algumas estimativas são maiores, e o governo não divulgou dados oficiais de anos mais recentes.

"Isso mostra que o partido está mais preocupado com os potenciais riscos de desestabilização vindos de dentro do país do que de fora, o que nos diz que o partido está bem menos confiante", disse Nicholas Bequelin, pesquisador da ONG de direitos humanos Human Rights Watch, com sede em Nova York.

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"Um governo confiante, que não tem medo da sua população, não precisa ter um orçamento de segurança interna que seja maior que o gasto em defesa", acrescentou.

Em pronunciamento ao Parlamento chinês, o primeiro-ministro Wen Jiabao citou a manutenção da estabilidade e da harmonia social como uma das prioridades governamentais neste ano.

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"Devemos melhorar o mecanismo para a avaliação de potenciais riscos que grandes decisões políticas possam representar para a estabilidade social... O propósito desse trabalho é preservar a lei e a ordem e promover a harmonia social e a estabilidade", disse Jiabao, que está de saída do cargo.

Os gastos da China com defesa, no entanto, permanecem em cerca de 5,4 por cento do total, o que é semelhante aos 5,3 por cento do ano passado, e ainda cerca de um quinto do gasto do Pentágono. Mas, apesar das suas preocupações com os problemas internos, o regime comunista chinês se mostra cada vez mais assertivo no cenário mundial.

Wen disse que o governo "deveria acelerar a modernização da defesa nacional e das Forças Armadas..., manter resolutamente a soberania, a segurança e a integridade territorial da China, e assegurar seu desenvolvimento pacífico".

A China repetidamente diz que o mundo não tem nada a temer com seus gastos militares, que seriam necessários para propósitos defensivos legítimos, e que a verba investida em suas Forças Armadas é pequena em comparação ao orçamento de defesa dos EUA.

Pelo atual mecanismo de financiamento governamental, o orçamento básico do Pentágono é de 534 bilhões de dólares.

(Reportagem adicional de Kiyoshi Takenaka, em Tóquio; Clare Jim, em Taipé; e Paul Eckert, em Washington)

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