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Christa Pike sobreviveu a uma execução: o que deu errado?

Após receber duas doses de pentobarbital, mulher continuou viva; governador suspendeu novas execuções

Internacional|Dakin Andone e Eric Levenson, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Christa Pike sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, levantando dúvidas sobre o procedimento.
  • O governador Bill Lee suspendeu execuções no estado para investigar o caso, após falhas semelhantes em 2022.
  • Críticos da pena de morte pedem a suspensão das execuções nos EUA, destacando problemas com injeções letais.
  • Pike foi transferida para um hospital, e seu estado de saúde após a tentativa de execução permanece desconhecido.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Nesta imagem de vídeo, Christa Pike chora após ser condenada à morte em 30 de março de 1996, em Knoxville, Tennessee
Christa Pike foi condenada à morte em 30 de março de 1996, em Knoxville, Tennessee WBIR-TV/AP via CNN Newsource

Após uma série de disputas judiciais de última hora, Christa Pike foi amarrada a uma maca na noite de quarta-feira (30), prestes a se tornar a primeira mulher executada no Tennessee (EUA) em 200 anos.

Mas, depois de receber duas doses supostamente letais de pentobarbital, Pike ainda estava viva, roncando alto, enquanto jornalistas selecionados para testemunhar a execução trocavam olhares, tentando entender o que estava acontecendo.

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“Nada daquilo era normal”, disse Catherine Sweeney, repórter da WPLN. “Cobri todas as execuções do ano passado e a maioria das deste ano. Nunca vimos nada parecido. Deu muito errado.”

Pike está em estado crítico e recebe atendimento médico para salvar sua vida, informou sua equipe jurídica na tarde desta quinta-feira (1). O advogado Randy Spivey pediu ao governador que comutasse sua pena, afirmando que ela sofreu um castigo “maior do que qualquer outra pessoa na história da pena de morte nos Estados Unidos”.

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O fracasso da execução de Pike, condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, levanta sérias questões sobre o que deu errado durante o procedimento e o que acontecerá agora.

O governador republicano Bill Lee anunciou que suspenderá a última execução prevista no Estado neste ano enquanto uma revisão independente é realizada para “determinar exatamente o que ocorreu” no caso de Pike, segundo a Associated Press.

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“O governador agiu corretamente ao determinar uma investigação”, afirmou o gabinete do procurador-geral do Tennessee, Jonathan Skrmetti, em comunicado. “Precisamos saber o que aconteceu.”

Esta é a segunda medida semelhante adotada por Lee durante seu mandato. Em 2022, ele também suspendeu execuções após descobrir que o procedimento adequado para testagem dos medicamentos letais não havia sido seguido.

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O episódio é apenas o mais recente erro de um Estado que retomou as execuções apesar de anos de problemas, incluindo uma tentativa fracassada de execução no início deste ano. Após o incidente, críticos da pena de morte pediram a suspensão das execuções não apenas no Tennessee, mas em todos os 27 Estados americanos que ainda aplicam a pena capital.

“O Estado do Tennessee mostrou ao mundo que não se pode confiar nele para aplicar a pena de morte de uma forma que preserve a dignidade humana e o Estado de Direito”, declarou Laura Porter, diretora executiva da Campanha dos EUA pelo Fim da Pena de Morte. “Isso precisa parar agora.”

O Tennessee não está sozinho. Diversos Estados enfrentam problemas com injeções letais nos últimos anos, o que levou ao surgimento de métodos alternativos, como a execução por gás nitrogênio, e ao retorno de métodos antigos, como o fuzilamento.

O principal problema da injeção letal é que ela representa uma “versão Frankenstein” de um procedimento médico, segundo Corinna Barrett Lain, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Richmond e autora do livro Secrets of the Killing State: The Untold Story of Lethal Injection, publicado em 2025.

Segundo Lain, essas execuções geralmente envolvem medicamentos de qualidade questionável, pessoal sem formação médica administrando as substâncias e condenados com veias difíceis de acessar. Ela afirma que a taxa de falhas da injeção letal é o dobro da observada em outros métodos de execução.

“Ela tem toda a delicadeza e necessidade de precisão de um procedimento médico, mas foi distorcida para atender às necessidades do executor”, disse. “É uma receita para o desastre desde o início.”

Em comunicado, a defesa de Pike apontou várias possíveis causas para o problema.

“Esta noite, o Estado do Tennessee mais uma vez falhou em realizar uma execução legal”, afirmaram os advogados Randy Spivey e Kelly Gleason. “Não sentimos satisfação em estar certos, mas as preocupações levantadas pela sra. Pike mostraram-se verdadeiras: dificuldade de acesso às veias, veias rompidas, pentobarbital deteriorado, ausência de atendimento médico de emergência quando as coisas inevitavelmente dão errado, tudo isso sob um protocolo que permanece envolto em segredo.”

Cronologia da tentativa de execução

Pike deveria ser executada inicialmente na manhã de quarta-feira, mas recursos judiciais de última hora adiaram a execução para mais tarde.

Tori Gessner, da WKRN, uma das jornalistas que testemunharam o procedimento, forneceu uma cronologia detalhada.

As testemunhas foram levadas para a sala de observação às 18h41. As persianas que permitem ver a câmara de execução foram abertas às 19h26. Pike fez então sua declaração final.

Às 19h34, Pike disse que seu braço parecia prestes a explodir. Nos minutos seguintes, ela aparentava falar, respirar, gemer e roncar.

As persianas foram fechadas às 19h46 e reabertas às 19h49. Nesse momento, Pike roncava com a boca aberta. As persianas voltaram a ser fechadas às 20h05 e permaneceram assim até que as testemunhas fossem retiradas da área às 20h53.

Os advogados de Pike divulgaram mais detalhes na quinta-feira. Segundo Spivey, a equipe de execução passou uma hora tentando estabelecer um acesso intravenoso e utilizou pelo menos sete agulhas em seu braço esquerdo.

“Estou assombrado pelo que aconteceu ontem à noite”, afirmou. “O que vi não é algo que deveria acontecer novamente, jamais.”

Outro advogado, Stephen Ferrell, disse que ninguém da equipe jurídica teve acesso a Pike desde então e evitou especular sobre seu estado atual.

O maior medo dela “não era morrer. Era sofrer uma morte prolongada, dolorosa e traumática”, disse Ferrell. “Foi exatamente isso que aconteceu, exceto pela morte.”

Os jornalistas presentes disseram ter pouca noção do que realmente ocorreu.

“Não consigo enfatizar o suficiente o quanto do que aconteceu ocorreu atrás de uma cortina fechada enquanto Christa Pike ainda estava viva”, afirmou Steven Hale, repórter do Nashville Banner.

John North, jornalista da WBIR, expressou avaliação semelhante.

“Obviamente temos muitas perguntas sobre o que vimos e o que não vimos, porque houve momentos em que as persianas estavam fechadas e momentos em que estavam abertas”, disse.

“Pareceu que as coisas não aconteceram da maneira que eles esperavam”, acrescentou.

Estado afirma que seguiu o protocolo

O Departamento de Correções do Tennessee afirmou que seguiu rigorosamente o protocolo oficial durante a tentativa fracassada de execução.

“O Departamento de Correções do Tennessee cumpriu cada etapa do protocolo de execução legalmente estabelecido e aprovado pelo gabinete do procurador-geral”, informou o órgão em nota. “O produto químico utilizado na injeção letal tem se mostrado consistentemente eficaz, e o protocolo não prevê procedimentos adicionais além dos realizados nesta noite. Christa Pike foi transferida para uma unidade médica externa.”

O protocolo de execução por injeção letal do Tennessee está descrito em um documento de 44 páginas elaborado pelo Departamento de Correções e obtido pelo Death Penalty Information Center.

O procedimento detalha as etapas destinadas a “garantir a execução humana e constitucional de presos condenados à morte” e proíbe desvios sem autorização formal.

“Não haverá qualquer desvio do protocolo, exceto por ordem do comissário”, afirma o documento.

O protocolo aprova apenas um método de injeção letal, utilizando exclusivamente pentobarbital, um barbitúrico que pode causar a morte. O documento determina a verificação de uma solução de 100 ml contendo 50 mg/ml da substância (totalizando 5 gramas) 30 dias antes da execução programada.

Também prevê a preparação de uma segunda dose de reserva para o caso de “o preso não estar morto” após a administração inicial.

No entanto, o protocolo não estabelece o que deve ser feito caso essa segunda dose também falhe.

Há poucos precedentes para uma situação como essa. Embora execuções malsucedidas, nas quais algo foge ao protocolo oficial, não sejam incomuns, é extremamente raro que uma execução simplesmente não aconteça, afirmou Austin Sarat, professor do Amherst College e autor de vários livros sobre pena de morte e injeção letal.

Há cerca de 80 anos, Willie Francis sobreviveu à cadeira elétrica na Louisiana, mas acabou sendo executado em uma segunda tentativa.

“Estamos em um território praticamente sem precedentes com Pike, no sentido de que ela sobreviveu à própria execução”, disse Sarat.

Segundo ele, Pike pode ser considerada “a primeira pessoa a sobreviver a uma execução por injeção letal depois que os medicamentos efetivamente chegaram ao seu organismo”.

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