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Cientista identifica primeiro caso de morte causada por alergia a carne

Sem saber que havia contraído a doença, vítima comeu hambúrguer em um churrasco e morreu de repente pouco tempo depois

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O primeiro caso de morte por alergia à carne foi identificado nos Estados Unidos por pesquisadores da Universidade da Virginia.
  • A vítima, um homem de 47 anos, teve uma reação fatal após consumir carne bovina, causada por picadas de carrapatos.
  • A alergia deixa a pessoa sensível ao alfa-gal, um açúcar presente na carne de mamíferos, e foi confirmada no exame de sangue da vítima.
  • Especialistas alertam sobre a necessidade de investigar dores abdominais intensas após o consumo de carne e os riscos das picadas de carrapatos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Primeiros sintomas da alergia surgiram após consumir um bife durante um acampamento Askar Abayev/Pexels

O primeiro caso de morte causada por alergia à carne ocorreu nos Estados Unidos. A constatação foi feita por pesquisadores da Universidade da Virginia. A vítima é um homem de 47 anos que morreu de repente após consumir carne bovina.

A causa da morte permaneceu um mistério até Thomas Platts-Mills, um alergista de renome mundial, investigar o caso e descobrir a alergia, causada por carrapatos.


A vítima de Nova Jersey, que não teve o nome divulgado, havia ido acampar com a mulher e os filhos no verão de 2024. Certa noite, eles jantaram um bife. Quatro horas depois, o homem acordou com fortes dores abdominais, diarreia e vômitos. Ele se recuperou pela manhã, mas disse ao filho que pensou que ia morrer.

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Duas semanas depois, ainda sem saber que havia contraído a alergia à carne, ele comeu um hambúrguer em um churrasco. Começou a se sentir mal depois das 19h, e seu filho o encontrou caído no banheiro às 19h37.


A autópsia foi inconclusiva, com a causa relatada como “morte súbita inexplicável”. A mulher não ficou satisfeita com o resultado e pediu a um médico que revisasse o laudo da autópsia.

Foi neste momento que a equipe de Platts-Mills se envolveu no caso.


Para a nova investigação, foram coletadas amostras de sangue do homem e informações sobre seu histórico de picadas de carrapato. A mulher da vítima disse que ele tinha “12 ou 13 picadas de ácaros” nos tornozelos, mas nenhum de carrapato.

Platts-Mills percebeu que muitas das chamadas “picadas de ácaros” no leste dos Estados Unidos são, na verdade, picadas de larvas do carrapato estrela solitária, que podem provocar a alergia à carne.


Carrapato estrela solitária Serviço Florestal do USDA, Inventário e Análise Florestal

As picadas podem sensibilizar as pessoas ao alfa-gal, um açúcar encontrado na carne de mamíferos. Pessoas sensibilizadas a esse açúcar podem apresentar sintomas alérgicos como erupções cutâneas, náuseas e vômitos após o consumo de carne bovina, suína ou de cordeiro. Pesquisadores temiam a possibilidade de anafilaxia fatal em casos graves, mas até então não haviam confirmado nenhuma morte decorrente da alergia.

No exame da vítima, descobriu-se que ele havia sido sensibilizado ao alfa-gal. O sangue indicou que o homem teve uma reação extrema, compatível com o que se observa em casos de anafilaxia fatal.

Platts-Mills e seus colegas suspeitam que diversos fatores podem ter contribuído para a gravidade da reação do homem, incluindo o consumo de cerveja com o hambúrguer, a exposição ao pólen de ambrosia e a prática de exercícios físicos naquela tarde. O alergista observou que a família do homem relatou que ele consumia carne vermelha com moderação.

“A informação importante para o público é: primeiro, que dores abdominais intensas que ocorrem de 3 a 5 horas após o consumo de carne bovina, suína ou de cordeiro devem ser investigadas como um possível episódio de anafilaxia; e, segundo, que picadas de carrapatos que causam coceira por mais de uma semana ou larvas de carrapatos, frequentemente chamadas de ‘ácaros’, podem induzir ou aumentar a sensibilização à carne de origem mamífera”, diz Platts-Mills.

O caso foi detalhado em um artigo publicado na quarta-feira (12) no Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice.

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