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Cientistas emitem ‘o alerta mais severo até agora’ sobre mudanças profundas que varrem os oceanos do planeta

Fenômenos como El Niño e a acidificação dos mares estão acelerando os impactos climáticos

Internacional|Laura Paddison, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os oceanos estão aquecendo a um ritmo alarmante, com consequências de longo alcance, segundo relatório de mais de 100 cientistas internacionais.
  • O 10º Relatório de Estado do Oceano Copernicus destaca mudanças profundas nos oceanos, incluindo aquecimento, elevação do nível do mar e degradação dos ecossistemas.
  • O aquecimento dos oceanos dobrou nos últimos 20 anos, com recordes de temperatura em 2023, 2024 e 2026, impactando a vida marinha e aumentando o nível do mar.
  • Pequenos estados insulares em desenvolvimento estão na linha de frente das mudanças oceânicas, enfrentando desafios econômicos e de segurança imediatos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Relatórios destacaram mudanças como o aumento do nível do mar e a degradação dos ecossistemas The Asahi Shimbun/Getty Images via CNN Newsource

Os oceanos estão aquecendo a um ritmo alarmante, trazendo consequências de longo alcance para as quais o mundo não está preparado, de acordo com um relatório de mais de 100 cientistas internacionais.

O 10º Relatório de Estado do Oceano Copernicus, publicado na quarta-feira (30), baseia-se em mais de quatro décadas de dados de satélites, boias e sensores para medir o pulso dos oceanos do mundo — entregando o seu “alerta mais severo até agora” sobre as profundas mudanças que estão sofrendo.

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“O oceano está se transformando diante de nossos olhos: aquecimento, elevação do nível do mar e degradação dos ecossistemas são sinais interconectados de mudanças significativas e de longo prazo”, disse Pierre Bahurel, Diretor Geral da Mercator Ocean International, a instituição de pesquisa sem fins lucrativos que produziu o relatório.

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Além das mudanças de longo prazo identificadas pelo relatório, um El Niño monstruoso está adicionando ainda mais pressão.

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Esse padrão climático natural, caracterizado por temperaturas da água mais quentes do que a média ao longo da linha do Equador no oceano Pacífico, está a caminho de ser o mais intenso já registrado.

Os oceanos globais absorvem cerca de 90% do excesso de calor produzido pelos humanos na queima de combustíveis fósseis e estão aquecendo a um “ritmo alarmante”, de acordo com o relatório.

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A taxa de aquecimento dos oceanos dobrou nos últimos 20 anos e as temperaturas da superfície do mar atingiram recordes em 2023, 2024 e novamente em 2026.

No ano passado, os oceanos do mundo absorveram um adicional de 23 zettajoules de calor, estabelecendo um novo recorde pelo nono ano consecutivo, observou o relatório.

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Para colocar isso em contexto, é o equivalente à energia de 12 bombas de Hiroshima explodindo a cada segundo durante um ano, ou cerca de 40 vezes a energia que o mundo inteiro consumiu em 2025.

Todo esse calor tem enormes efeitos em cascata, impulsionando ondas de calor marinhas, alimentando tempestades mais fortes e destrutivas, prejudicando a vida marinha e aumentando a elevação do nível do mar, tanto pelo derretimento do gelo quanto porque a água mais quente ocupa mais espaço.

Os níveis médios globais do mar subiram cerca de 3,8 milímetros por ano desde 1999, totalizando quase 10,1 centímetros, com taxas acelerando desde 2012 — ameaçando as centenas de milhões de pessoas que vivem em regiões costeiras.

Os oceanos também se tornaram cerca de 17% mais ácidos desde 1985, à medida que absorvem quantidades crescentes de poluição por carbono.

A acidificação dos oceanos às vezes é chamada de “gêmea igualmente maligna das mudanças climáticas” devido aos danos que causa aos ecossistemas subaquáticos, incluindo a dificuldade para animais como ostras, lagostas e corais construírem e manterem suas conchas e esqueletos.

Algumas regiões estão particularmente estressadas pelas mudanças que se desdobram à medida que o mundo aquece. Os mares europeus estão sob “pressão intensa”, disse Karina von Schuckmann, autora do relatório e conselheira sênior da Mercator Ocean International.

Os mares Mediterrâneo e Negro experimentaram ondas de calor marinhas recordes em 2024, com algumas durando mais de 30 dias e elevando as temperaturas da água em mais de 4,6 graus Celsius acima da média, descobriu o relatório.

“Estes não são períodos de calor isolados; eles estão ocorrendo em um cenário de aquecimento oceânico sustentado que está mudando as condições que os ecossistemas marinhos experimentam”, disse Blanca Fernández-Álvarez, autora do relatório e pesquisadora do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados.

Os extremos oceânicos têm grandes impactos sobre as pessoas. O relatório apontou para a Tempestade Louis em 2024, que trouxe ondas de 7,9 metros para partes do litoral da Espanha, causando uma morte, apagões generalizados e danos à infraestrutura.

Naquele mesmo ano, uma tempestade trouxe ventos prolongados e intensos para o Golfo de Bótnia, entre a Suécia e a Finlândia.

Tanta água foi empurrada para fora do golfo que o nível do mar caiu 1,52 metro, forçando as balsas a pararem de operar por 18 horas.

Algumas das maiores mudanças oceânicas estão acontecendo no Ártico, que aquece rapidamente, onde as temperaturas da superfície do mar subiram cerca de 4,2 ºC nas últimas quatro décadas.

Os níveis médios mensais de gelo marinho caíram cerca de 492.000 quilômetros quadrados por década entre 1979 e 2025 — o equivalente a perder uma área do tamanho da Espanha a cada 10 anos.

No outro extremo do mundo, o recorde de baixa do gelo marinho da Antártica em 2022 coincidiu com a primeira falha reprodutiva em massa registrada de pinguins-imperadores. É “um sinal de que as mudanças climáticas já estão remodelando o habitat das espécies dependentes do gelo”, observou o relatório.

Talvez os mais expostos às mudanças oceânicas sejam os pequenos estados insulares em desenvolvimento, que estão na linha de frente do aumento do nível do mar, ciclones cada vez mais intensos, tempestades e mortes de recifes de coral.

“Para os estados insulares, a mudança oceânica não é uma questão ambiental distante; é um desafio econômico, de desenvolvimento e de segurança imediato — e um aviso do que muitos outros litorais enfrentarão no futuro”, disse von Schuckmann.

O relatório pede o monitoramento sustentado dos oceanos para garantir que governos e comunidades tenham as informações de que precisam para se preparar para o que está por vir.

“É nossa responsabilidade construir a capacidade permanente de antecipar essa transformação”, disse Bahurel, da Mercator Ocean International.

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