Como funcionam as rotas alternativas anunciadas pelo Irã no estreito de Ormuz
Segundo a mídia estatal do país, medida foi tomada por conta da possibilidade de haver minas marítimas na rota principal
Internacional|Do R7
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A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã anunciou duas rotas alternativas para embarcações que transitam pelo estreito de Ormuz. Segundo um comunicado, divulgado pela agência iraniana ISNA, a medida foi tomada por conta da possibilidade de haver minas marítimas na rota principal.
Localizado entre o Irã e Omã, o estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Pela rota marítima passam cerca de 20% de todo o petróleo do mundo.
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“Todas as embarcações que pretendem transitar pelo estreito de Ormuz são notificadas de que, a fim de cumprir os princípios de segurança marítima e se protegerem de possíveis colisões com minas marítimas, devem, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica no estreito de Ormuz, utilizar rotas alternativas para o tráfego no estreito de Ormuz até novo aviso”, afirma o texto divulgado pela Guarda Revolucionária.
A Marinha da Guarda Revolucionária detalhou as rotas alternativas recomendadas. Para entrar a partir do mar de Omã, as embarcações deverão passar entre a costa iraniana e a ilha de Larak. Já a rota de saída do golfo vai contornar o sul da ilha. Com isso, o trajeto tradicional, mais próximo da costa de Omã, será evitado.
O veículo estatal Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB) publicou, na quinta-feira (9), um mapa que reproduz o local em que as minas marítimas foram alocadas no estreito de Ormuz durante a guerra.
Nele, é possível ver um grande círculo marcado como “zona de perigo” sobre o Esquema de Separação de Trânsito, que é a rota que os navios usam para cruzar a passagem. A imagem considera o período entre 28 de fevereiro até 9 de abril e não deixa claro se a Guarda Revolucionária desativou as minas após o cessar-fogo, anunciado na terça-feira (7).
Criação de pedágio
Além das rotas alternativas, Teerã avalia cobrar um pedágio para a travessia no estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de 15 dias com os EUA.
“O Irã precisa monitorar o que entra e sai do estreito para garantir que essas duas semanas não sejam usadas para a transferência de armas”, afirmou o porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, Hamid Hosseini, em entrevista ao Financial Times.
O governo iraniano, aponta o jornal britânico, pretende cobrar US$ 1 (R$ 5) por barril transportado pela via marítima, com pagamento em criptomoeda.
Questionado na quarta-feira (8) por um jornalista da ABC sobre a cobrança, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou concordar com a ideia e chegou a sugerir a criação de uma empresa conjunta para dividir os dividendos com o Irã.
Já a União Europeia (UE) criticou a eventual criação de uma cobrança na rota marítima. Na quinta-feira, o bloco defendeu que a liberdade de navegação no estratégico Estreito de Ormuz deve ser garantida sem “qualquer pagamento.”
Condições para reabrir Ormuz
O Irã condicionou a reabertura total do estreito de Ormuz ao fim dos ataques americanos no Oriente Médio e à interrupção dos bombardeios de Israel no Líbano, em meio à fragilidade do cessar-fogo de 15 dias anunciado nesta semana.
Em entrevista à BBC, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, afirmou que Teerã permitirá a passagem de navios, conforme normas internacionais, apenas após essas condições serem atendidas.
Segundo o vice-chanceler, o estreito foi fechado após o que classificou como “grave violação intencional” da trégua por Israel.
“Você não pode ter tudo ao mesmo tempo”, disse, acrescentando que a mensagem foi transmitida “de forma clara” a Washington.
Khatibzadeh afirmou ainda que o país garantirá a segurança da navegação, mas reiterou que isso depende da retirada das ações militares americanas.
“Acho que mostramos a todos que a segurança energética é fundamental para o Irã, é fundamental para esse corpo d’água no golfo Pérsico, e vamos cumprir as normas internacionais e o direito internacional”, acrescentou.
A declaração ocorre em um momento de incerteza sobre os termos do cessar-fogo, que já sofre pressão com a intensificação dos bombardeios israelenses em Beirute.
Autoridades americanas e iranianas divergem sobre se o acordo inclui o Líbano, enquanto Teerã mantém controle de fato sobre Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
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