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Como hackers podem invadir sistemas de supermercados e aquecer geladeiras?

Uso de sistemas operacionais desatualizados e senhas padrão que nunca são modificadas podem facilitar ação de criminosos

Internacional|Do R7

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Por via de regra, qualquer eletrônico que tenha acesso à internet corre risco de ser hackeado
Por via de regra, qualquer eletrônico que tenha acesso à internet corre risco de ser hackeado David Berkowitz (CC BY 2.0) / BensBuck (BSD)

A digitalização de equipamentos de refrigeração, antes vistos como sistemas isolados, abriu uma nova frente de preocupação para o varejo: ataques de hackers.

Especialistas em segurança cibernética alertam que geladeiras, freezers e controladores de temperatura conectados à internet podem se tornar portas de entrada para ataques capazes de causar prejuízos milionários e comprometer estoques inteiros de alimentos.

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O tema ganhou destaque após um ataque cibernético que atingiu grandes redes de supermercados na França.

Segundo as empresas afetadas, criminosos conseguiram interferir remotamente em sistemas de refrigeração, elevando temperaturas em centenas de lojas.

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O incidente provocou a perda de produtos frescos e congelados, obrigando estabelecimentos a descartar mercadorias e gerando, além de prejuízos financeiros, preocupações sobre segurança alimentar.

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Para realizar esse ataque, os invasores exploraram uma vulnerabilidade associada a sistemas de controle de refrigeração conectados.

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A empresa dinamarquesa Danfoss, citada no caso, informou que parte dos equipamentos afetados era composta por produtos antigos que já não recebiam atualizações de software ou correções de segurança.

De acordo com especialistas, esse tipo de ameaça está ligado ao crescimento da chamada Internet das Coisas (IoT), conceito que reúne dispositivos conectados, como câmeras, televisores, eletrodomésticos, sensores e sistemas industriais.

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Quando configurados de forma inadequada ou sem atualizações de segurança, esses equipamentos podem ser comprometidos por hackers.

Não é de hoje que se hackeia geladeira

Embora pareça algo recente, dispositivos de refrigeração já foram associados a incidentes de segurança no passado.

Pesquisadores da empresa Proofpoint relataram em 2014 um ataque em que mais de 100 mil dispositivos conectados, incluindo pelo menos uma geladeira, foram usados para enviar grandes volumes de e-mails maliciosos.

O caso foi apontado como um dos primeiros exemplos relevantes de ataques envolvendo dispositivos da Internet das Coisas.

Como muitos desses equipamentos operam com softwares antigos que raramente recebem atualizações, eles são mais suscetíveis a criação de botnets, redes de dispositivos comprometidos que podem ser controladas remotamente por criminosos para realizar ataques ou manipular equipamentos conectados.

No caso dos supermercados, o risco vai além do ambiente digital, porque, quando existem vários controladores de refrigeração conectados, os invasores podem alterar parâmetros operacionais, causando o descongelamento de equipamentos e a deterioração de alimentos.

O episódio na França mostrou como falhas cibernéticas podem gerar consequências físicas e econômicas concretas para empresas e consumidores.

Atenção ao básico

Especialistas recomendam que empresas mantenham sistemas atualizados, substituam equipamentos sem suporte de segurança, alterem senhas padrão de fábrica e monitorem constantemente quaisquer dispositivos conectados à rede.

Por mais óbvias que pareçam, essas medidas simples reduzem significativamente as chances de que geladeiras inteligentes, sistemas de refrigeração ou outros equipamentos conectados se transformem em alvo de criminosos digitais.

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