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Como são os interceptadores de drones Shahed, do Irã, feitos pela Ucrânia

Governo ucraniano quer usar expertise acumulada para fornecer dispositivo a aliados e atrair investimentos para ampliar produção

Internacional|Do R7

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Zelensky em discurso no Parlamento do Reino Unido Reprodução/Instagram @zelenskyy_official

Os ataques com drones Shahed, usados pelo Irã em conflitos recentes, impulsionaram uma corrida global por soluções capazes de barrar esse tipo de ameaça, e colocaram a Ucrânia como protagonista nesse cenário. Com experiência acumulada na guerra contra a Rússia, o país desenvolveu drones interceptadores baratos e eficientes, que agora despertam interesse internacional.

Esses equipamentos funcionam como “caçadores” de drones. Em vez de usar mísseis milionários, a Ucrânia aposta em modelos pequenos, muitos deles do tipo FPV (visão em primeira pessoa), que são pilotados diretamente até o alvo. A estratégia é simples: atingir o drone inimigo em cheio ou explodi-lo no ar, no que é chamado de método “hard kill”.


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As razões por trás do uso da tecnologia são, essencialmente, econômicas. Enquanto um drone Shahed custa entre 20 mil e 50 mil dólares, os interceptadores ucranianos saem por algo entre 2 mil e 6 mil dólares. Isso permite neutralizar ataques em massa sem esgotar estoques de armamentos caros, como os mísseis de sistemas tradicionais de defesa aérea.

Fornecimento ao Irã e busca por investidores

De olho na escalada dos ataques com drones iranianos no Oriente Médio, a Ucrânia já se movimenta para transformar sua experiência em combate em ativo estratégico. O país sinalizou que pretende fornecer drones interceptadores a aliados envolvidos direta ou indiretamente na guerra contra o Irã, oferecendo não só os equipamentos, mas também conhecimento operacional adquirido no campo de batalha.


O presidente ucarniano Volodymyr Zelensky afirmou que a indústria local tem capacidade para produzir até 2.000 interceptadores por dia. Como a demanda interna gira em torno de metade disso, Kiev diz poder disponibilizar cerca de 1.000 unidades diárias para parceiros, número que pode crescer caso haja expansão da capacidade industrial.

Para isso, no entanto, a Ucrânia faz um apelo direto por investimento internacional. Autoridades afirmam que o setor de defesa opera abaixo do potencial por falta de recursos e que novos aportes poderiam destravar uma produção muito maior.

“Podemos produzir mais, mas tudo depende de investimento”, reforçou Zelenskyy, em discurso ao Parlamento do Reino Unido, deixando claro que a ampliação da oferta está condicionada ao interesse externo. A estratégia é clara: usar contratos externos para financiar a própria guerra e, ao mesmo tempo, consolidar o país como fornecedor global de tecnologia anti-drone em meio à crescente ameaça dos Shahed.

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