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Croácia é palco de intolerância étnica contra sérvios

Internacional|Do R7

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Zagreb, 21 mar (EFE).- A Croácia, que passará a fazer parte da União Europeia (UE) em julho deste ano como membro de pleno direito, vive um momento complicado no qual um forte sentimento nacionalista contra os sérvios revela um "persistente" potencial de intolerância étnica. Este negativo e preocupante fenômeno, que marcou os conflituosos anos da década de 1990 no país - e que muitos pensavam que tinha ficado atrás - é impulsionado pela direita política que agora, com a proximidade das eleições para o Parlamento Europeu, em abril e para as autoridades locais, em maio. Já há vários meses que os nacionalistas ameaçam impedir que o governo do social-democrata Zoran Milanovic introduza na cidade de Vukovar o cirílico sérvio como segundo alfabeto oficial. Um líder de veteranos de guerra e funcionário do maior partido da oposição - o conservador HDZ (União Democrática Croata) - chegou até a propor uma "análise étnica" do DNA de Milanovic, segundo o jornal "Slobodna Dalmacija". Também não faltaram manifestações em favor da renúncia de Milanovic por sua postura supostamente "anticroata". "Não nos enganemos: se tratam de declarações do mesmo nível de mensagens nazi-fascistas", disse o líder dos sérvios da Croácia, Milorad Pupovacesta, ao jornal "Novi list". O presidente do país, Ivo Josipovic, e o primeiro-ministro, ambos social-democratas, condenaram energicamente os desmandos, mas o HDZ justifica e chega até a incitar esse tipo de comportamento, assim como a extrema direita. As "expressões de ódio étnico" se intensificaram nos últimos dias, que antecedem o jogo pelas Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2014 no qual Croácia e Sérvia se enfrentaram nesta sexta-feira na cidade de Zagreb. Nesse contexto, se emolduram as recentes declarações ofensivas de Zdravko Mamic, diretor-executivo do Dínamo de Zagreb, campeão do último Campeonato Croata, contra o ministro de Ciência, Educação e Esportes do país, Zeljko Jovanovic. "Um sérvio não pode estar à frente de um ministério tão importante. Ele nem sequer tem um sorriso, só caninos sedentos de sangue, prontos para degolar", disse Mamic. Ele chegou a ficar detido durante um dia pelos insultos - condenados pela cúpula política - e será julgado por incitar o ódio étnico, crime que pode acarretar uma pena de três anos de prisão. No entanto, o diretor do Dínamo também recebeu apoio, já que apenas o partido de centro-esquerda se opôs às ofensas. Os amigos de Mamic e parte da imprensa croata tacharam as atuais autoridades de "comunistas" responsáveis por instigar a prática do "delito verbal". No Facebook e em outros forúns na internet, milhares de croatas expressam seu apoio a Mamic. Segundo a imprensa local, uma candidata à deputada no Parlamento Europeu, do HDZ, Ruza Tomasic, afirmou que "a Croácia é dos croatas, todos os demais são hóspedes". "É trágico que uma pessoa com essas características seja candidata ao Parlamento Europeu e presidente do Conselho do Parlamento croata para os Direitos Humanos e Minoritários", comentou um representante sérvio, Vojislav Stanimirovic. No último domingo, um grupo de adolescentes atacou seminaristas sérvios com barras de metal e tacos de beisebol nas proximidades do mosteiro ortodoxo de Krka, na Croácia. O presidente do HDZ local, Roko Antic, declarou que "o incidente aconteceu devido a provocações dos seminaristas ortodoxos" e porque "o mosteiro de Krka é um ninho chetnik" (termo que se refere aos ultranacionalistas sérvios da Segunda Guerra Mundial). EFE vb/apc/rsd

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