Cruzeiros podem solucionar problemas de manutenção da Marinha dos EUA; entenda
Frota sofre com atrasos nos estaleiros, falta de docas secas disponíveis, escassez de mão de obra e de peças de reposição
Internacional|Do R7
RESUMO DA NOTÍCIA
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A Marinha dos Estados Unidos está se inspirando em companhias privadas de cruzeiros para conseguir manter seus navios prontos para operar. É o que diz o almirante Daryl Caudle, indicado pelo presidente Donald Trump para chefiar as operações navais do país.
De acordo com o site norte-americano Business Insider, Caudle está buscando ideias no setor de cruzeiros para resolver problemas crônicos de manutenção, que há décadas têm sido um obstáculo para a frota dos EUA.
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Entre os problemas, há atrasos nos estaleiros, falta de docas secas disponíveis, erros de planejamento, escassez de mão de obra e de peças de reposição, além da necessidade de reparos inesperados.
Um relatório do Escritório de Responsabilidade do Governo dos Estados Unidos (GAO, na sigla em inglês), agência de fiscalização do governo, apontou que, entre 2015 e 2020, 75% das manutenções planejadas sofreram atrasos.
Esses desafios ocorrem em meio a dificuldades na construção de novos navios, o que levanta preocupações sobre a capacidade da Marinha de manter a frota operacional, especialmente em um cenário de possível confronto com potências como Rússia e China.
Inspiração em empresas de cruzeiros
Para superar esses problemas, a Marinha está olhando para as companhias de cruzeiros, conhecidas pela eficiência na manutenção de grandes embarcações.
Durante uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado, Caudle disse que é importante “aprender com os melhores do mundo”, referindo-se a empresas como a Norwegian Cruise Line e a Carnival Cruise Line, com as quais a Marinha já está colaborando.
Em 2019, o então Secretário da Marinha, Richard Spencer, ficou impressionado com a rapidez da Carnival Cruise Line, que consegue realizar a manutenção de um navio de 213 metros em apenas 28 dias, enquanto a Marinha pode levar meses ou até anos para recuperar algumas embarcações.
O contra-almirante William Greene, antes de se aposentar, também confirmou que a Marinha está trabalhando com empresas de cruzeiros para aprimorar suas práticas, com o objetivo de alcançar 80% de prontidão para emergências até 2027.
O que a Marinha pode aprender?
As empresas de cruzeiros se destacam por manter cronogramas de manutenção consistentes e prever as condições dos navios, já que operam com perfis previsíveis. Bryan Clark, ex-oficial da Marinha, explicou ao Business Insider que a Marinha poderia adotar estratégias como:
- Planejamento rigoroso: cumprir cronogramas de manutenção sem mudanças frequentes;
- Avaliações prévias: realizar inspeções detalhadas antes de os navios entrarem em manutenção, evitando surpresas; e
- Alternativas operacionais: ajustar o uso de navios para reduzir a pressão sobre os cronogramas de reparo.
Além disso, Caudle destacou a necessidade de dar mais autonomia aos marinheiros para realizar reparos no mar, sem depender de autorização de contratantes. Ele afirmou, durante a audiência de confirmação, que não se pode “depender da permissão de um contratante para fazer manutenção no meio do oceano”.
Apesar das semelhanças, há diferenças significativas entre navios militares e de cruzeiros. Embarcações da Marinha possuem sistemas complexos, como armas e tecnologias específicas, que exigem reparos especializados.
Além disso, a Marinha precisa adaptar suas operações às demandas globais, o que torna os cronogramas menos previsíveis em comparação com os dos cruzeiros.
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