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Cuba põe em vigor reforma migratória que facilita viagens ao exterior

Médicos e esportistas que desertaram ou abandonaram o país poderão retornar

Internacional|Do R7

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Cubana mostra seu novo passaporte, após esperar em uma longa fila em frente ao escritório de migração em Havana
Cubana mostra seu novo passaporte, após esperar em uma longa fila em frente ao escritório de migração em Havana

Entra em vigor em Cuba, nesta segunda-feira (14), a esperada flexibilação migratória que elimina restrições para viagens dos cubanos ao exterior e para as visitas daqueles que moram fora do país. Essa é uma das principais reformas feitas por Raúl Castro.

Após décadas de restrições, a partir de hoje os cubanos poderão viajar para o exterior apenas com o passaporte e, se for o caso, com o visto correspondente ao exigido pelo país de destino.


O governo da ilha eliminou as "permissões de saída" e "cartão branco" que até hoje eram necessários solicitar às autoridades cubanas para sair do país, junto a outros documentos como a chamada "carta de convite", que também foi eliminada.

Outra novidade é a ampliação do tempo que um cubano pode permanecer no exterior, que passa de 11 a 24 meses sem a necessidade de prorrogações.


A nova regulação quer, além disso, "normalizar as relações da emigração com sua pátria" e flexibiliza algumas condições para os cubanos que estão no exterior.

Assim, os que abandonaram definitivamente o país poderão viajar à ilha e permanecer durante 90 dias sem prorrogações, um prazo que se amplia a 180 dias se tratando de cidadãos cubanos que têm permissão de residência no exterior, conhecido como "PRE".


A reforma migratória cubana dá também alguns passos para permitir, inclusive, a "entrada temporária" de emigrados que o governo cubano considerou "ilegais", incluindo médicos e esportistas que desertaram ou abandonaram o país nos anos 90.

Concretamente, o governo permitirá visitas dos que deixaram a ilha "ilegalmente", porém depois dos acordos de Havana e Estados Unidos de 1994 — quando Washington se comprometeu a conceder pelo menos 20 mil vistos anuais a cubanos — e há mais de oito anos abandonaram o país.


Permissões ainda podem ser negadas

No entanto, a nova reforma migratória mantém ainda limitações sobre os movimentos dos cubanos, já que as autoridades podem negar a concessão de um passaporte por razões de "interesse público", ou de "defesa e segurança nacional", entre os requisitos que são mencionados para obter o documento.

Por isso muitos temem, especialmente entre setores da dissidência, que agora o "filtro" para poder sair do país seja a expedição ou validação do passaporte.

Com o objetivo de se defender do "roubo de cérebros" formados pela revolução, continuam algumas limitações para as viagens ao estrangeiro de quadros diretores, profissionais da saúde e da educação e atletas que sejam "vitais" para o país.

E outro dos problemas que a reforma migratória coloca para os cubanos é o preço do passaporte: antes custava 55 CUC (moeda forte, quase equivalente ao dólar) e agora passa para 100 (cerca de R$ 200), em um país onde o salário médio mensal quase não chega aos R$ 40 (US$ 20).

A reforma migratória cubana projeta também desafios com relação aos Estados Unidos perante um possível aumento da emigração cubana para o país vizinho, embora não parece provável que se produza um êxodo em massa desde a ilha.

O tema migratório ocupa um lugar destacado na longa disputa entre Washington e Havana desde o triunfo da revolução castrista em 1959, especialmente pela chamada Lei de Ajuste Cubano, que permite que os cubanos que consigam entrar nos EUA podem obter residência permanente após um ano e um dia.

Nos últimos dias, os meios de imprensa oficiais cubanos ressaltaram que essa lei de ajuste "cria obstáculos a qualquer avanço no processo de conversas para regular a migração de forma ordenada.

Aproximadamente, 1,4 milhão de cubanos vivem no exterior, a maioria deles (85,7%) nos Estados Unidos e a maior parte radicados na Flórida.

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