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Damas de Branco cubanas recebem prêmio Sajarov após 7 anos de espera

Internacional|Do R7

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As Damas de Branco cubanas finalmente receberam nesta terça-feira o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, concedido pelo Parlamento Europeu (PE) em 2005, mas que nunca foi entregue porque não tinham autorização para saírem da ilha.

"Vocês são o símbolo da resistência contra o governo cubano, milhares de cubanos as apoiam dentro e fora do país (...) Esperamos o dia em que os cubanos poderão falar livremente. Esse dia chegará", declarou o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.


O presidente entregou o prêmio para a líder do grupo, Berta Soler, que estava acompanhada por Belkis Cantillo Ramirez e Laura Labrada Pollan, filha da líder histórica do grupo, Laura Pollan, que morreu em 2011 aos 63 anos devido a uma parada cardíaca.

"Somos mulheres ativistas dos direitos humanos. Nós somos uma e somos muitas. Temos sido espancadas, insultadas e humilhadas", declarou em um discurso emocionado Laura Labrada.


"Confiamos em nós mesmas, mas contamos com vocês", indicou ao defender uma Cuba "livre e democrática".

As Damas de Branco, um grupo formado por esposas e familiares dos 75 dissidentes presos na "Primavera Negra" de 2003 e condenados a longas penas de prisão, aproveitaram a reforma da imigração cubana para viajar ao exterior.


Muitos cubanos, incluindo vários dissidentes, solicitaram passaporte depois que o presidente Raul Castro aprovou em 14 de janeiro uma reforma de imigração muito aguardada, que retirou as restrições de viagem aos cubanos.

Os últimos do grupo dos 75 que continuavam presos foram libertados em 2010 e 2011 como resultado de um diálogo inédito entre a Igreja Católica e o presidente Raúl Castro, que substituiu seu irmão Fidel, em julho de 2006.


Além das Damas de Branco, foram agraciados com o Prêmio Sakharov os dissidentes cubanos Oswaldo Payá (2002) e Guillermo Fariñas (2010), que nunca conseguiram permissão do governo cubano para recebê-lo.

Payá (falecido em julho de 2012) e as líderes das Damas de Branco tiveram as autorizações de saída negadas pelo governo de Fidel Castro, enquanto Fariñas sob a presidência de Raul.

A blogueira Yoani Sanchez e Orlando Brown, além dos jovens Eliezer Avila e Rosa Maria Payá -filha de Oswaldo- puderam viajar após a reforma da imigração aprovada em outubro.

Berta Soler iniciou em março um giro por Madrid, onde denunciou o regime cubano e a repressão contra a dissidência.

"Raul e Fidel (Castro) são iguais, a repressão intensificou-se" desde 2010, dois anos depois do irmão mais novo, de 81 anos, tomar as rédeas do regime, disse em um entrevista à AFP.

"Temos homens que por se expressarem foram presos por cinco ou seis meses sem julgamento", denunciou Soler, de 49 anos, que em 2003 fundou com Laura Pollan este grupo de esposas e mães de presos políticos.

O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, chamado desta forma em homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov, foi criado em dezembro de 1985 pelo Parlamento Europeu como meio de homenagear pessoas ou organizações que dedicaram as suas vidas à defesa dos direitos humanos e liberdades.

ml/esb/mr

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