Discurso de Putin contra a Otan busca impedir possível ataque antes que aconteça, diz professor
Presidente russo advertiu que Moscou pode usar ‘todos os tipos de armas’ contra a aliança, em meio a crescentes tensões em torno de território de fronteira
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Vladimir Putin advertiu que a Rússia pode usar todos os tipos de armas contra a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Durante um fórum político, o presidente russo disse: “Se ocorrer um ataque direto contra a Rússia, neste caso contra ‘Kaliningrado’, a questão do uso de todos os tipos de armas à nossa disposição estará sobre a mesa”. Este alerta surge em meio a crescentes tensões em torno deste território localizado no mar Báltico e que faz fronteira com Polônia e Lituânia.
Os países da Otan realizaram diversos exercícios militares perto das fronteiras de ‘Kaliningrado’ nos últimos meses, o que levou Moscou a enviar um documento aos governos condenando um aumento “sem precedentes” da atividade militar da aliança nas fronteiras ocidentais. Putin reforçou que, em caso de um ataque, todos os tipos de armas estarão à disposição da Rússia.
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Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (2), Kleber Galerani, professor de direito e relações internacionais, esclarece que Kaliningrado é, tradicionalmente, uma vulnerabilidade estratégica russa, um território russo separado do restante do país.
“É uma região que oferece à Rússia acesso ao mar Báltico e tem uma forte presença militar. Por isso, esse enclave é estratégico para Moscou, mas também potencialmente vulnerável em caso de confronto direto com a Otan. Para a Rússia, ameaçar Kaliningrado significa ameaçar seu território, ameaçar sua projeção militar no Báltico e sua ligação estratégica com uma região cercada por países da Otan”, explica.
Segundo Galerani, a distância entre o discurso de Putin e a aplicação prática é longa, pois a ambiguidade da fala, sobre todos os tipos de armas, serve à lógica da dissuasão, para deixar o adversário inseguro sobre a intensidade da resposta que determinada ação poderia provocar. Para o professor, essa ameaça de Putin procura impedir o ataque antes que ele aconteça.
“A dissuasão nuclear já serviu durante muito tempo, quase toda a Guerra Fria, visando impedir a guerra pelo medo das consequências, mas ela só funciona quando existe comunicação suficiente para que nenhum dos lados interprete equivocadamente o movimento do outro. Em Kaliningrado, o maior perigo talvez não seja um ataque planejado, mas uma escalada provocada por um cálculo errado, uma ação errada, uma reação precipitada ou uma ameaça levada longe demais”, diz.
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