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Ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e atinge letalidade próxima de 50%

Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, distribuídas em oito das 26 províncias

Estadão Conteúdo

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O surto de ebola na República Democrática do Congo já causou 5.026 mortes, com uma taxa de letalidade próxima de 50%.
  • O surto, causado pelo vírus Bundibugyo, é o segundo mais mortal da história, afetando principalmente as províncias de Ituri e Kivu do Norte.
  • Desafios para conter o surto incluem dificuldades em rastrear contatos, resistência da população, conflitos armados e greves de profissionais de saúde.
  • O surto se expandiu além das fronteiras do Congo, com casos confirmados em Quênia, Nigéria e Uganda, e não há vacina ou terapia específica aprovada para a espécie Bundibugyo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Surto foi declarado em meados de maio e se tornou o segundo mais mortal da história REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere — 05.10.2026

O surto de ebola na República Democrática do Congo já provocou 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas, segundo dados divulgados neste sábado (31) pelo Ministério da Saúde do país. A taxa de letalidade é de quase 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença.

Causado pelo vírus Bundibugyo, o surto foi declarado em meados de maio e se tornou o segundo mais mortal da história, ficando atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando 11 mil pessoas morreram em diferentes países.

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Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, distribuídas em oito das 26 províncias. A maior concentração de casos está no leste do país, especialmente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, que somam 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes.

“É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número”, disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). “São famílias e comunidades devastadas por esse surto”.

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Um terço das pessoas que morreram não chegou a receber atendimento

Um dos obstáculos para conter a transmissão é a dificuldade de rastrear os contatos das pessoas infectadas. Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contatos monitoradas pelas autoridades.

Para ter ideia, um terço das pessoas que morreram não chegou a receber atendimento em centros de tratamento. As vítimas morreram antes mesmo de serem testadas, segundo Otim.

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“São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar, e essa é uma das nossas maiores preocupações neste surto. Como podemos chegar às pessoas mais cedo e fazer com que procurem unidades de saúde para ter uma chance real de sobreviver?”, questionou o representante da OMS.

A resposta à doença também enfrenta dificuldades por causa dos conflitos armados no leste do país, da resistência de parte da população às medidas de saúde e das greves de profissionais que estão sem receber salários.

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Na sexta-feira, 30, funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, na província de Ituri, interromperam as atividades para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados. A unidade atende cinco pacientes com diagnóstico confirmado e dez casos suspeitos.

O surto também ultrapassou as fronteiras congolesas. Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos da doença. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes. Na Nigéria, o único paciente com diagnóstico confirmado foi transferido para a Suíça. Casos também haviam sido registrados em Uganda.

Com registros em três regiões africanas, o atual surto é considerado o de maior alcance geográfico já observado no continente.

A espécie Bundibugyo recebeu esse nome por ter sido identificada pela primeira vez em 2007, no distrito de mesmo nome, em Uganda. Ela é diferente da espécie Zaire, responsável por alguns dos maiores surtos de ebola já registrados, incluindo a epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Essa diferença tem implicações importantes para o controle da doença. As vacinas e os tratamentos desenvolvidos contra a espécie Zaire não têm eficácia comprovada contra a Bundibugyo. Ou seja: até o momento, não há vacina nem terapia específica aprovada para essa espécie. Os pacientes recebem cuidados de suporte, com medidas para aliviar os sintomas e tratar possíveis complicações.

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