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Ela sobreviveu a um tiroteio em uma escola e agora, seus filhos também

Experiência reviveu traumas passados para Michelle, que agora considera educar seus filhos em casa

Internacional|Taylor Galgano, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Michelle e seus filhos enfrentaram um tiroteio na escola Silver Rail Elementary, no Oregon, revivendo o trauma que ela já havia experimentado em sua adolescência.
  • Durante o ataque, Michelle instruiu seu filho a permanecer em silêncio e imediatamente tentou contatar o 911, mas enfrentou dificuldades para obter resposta.
  • Após o incidente, a família se reuniu na Journey Church e buscou apoio emocional para lidar com o trauma, considerando até a educação domiciliar para os filhos.
  • Michelle e sua família estão focadas em superar o trauma, com apoio de terapeutas e atividades que promovem a cura e a segurança emocional.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Os dois filhos de Michelle no primeiro dia de aula deste ano, de mãos dadas Cortesia de Michelle via CNN Newsource

“Mãe, tem um atirador”, disse o filho de Michelle, aluno do quinto ano, ao telefone.

Havia algo de familiar no tom sério de seu filho.

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“Se você já recebeu uma ligação informando que um familiar faleceu... esse tipo de tom”, explicou Michelle.

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Ela conhecia aquele tom.

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A mãe de 40 anos mais tarde o compararia ao som da voz de seu diretor ecoando pelo alto-falante 25 anos atrás: “Confinamento! Confinamento!”

Quando ela estava no nono ano, um ex-colega de classe abriu fogo em sua escola de ensino médio em El Cajon, na Califórnia.

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Como naquela época, ela soube imediatamente, em seu íntimo, que a situação com seu filho era séria.

E Michelle estava certa. Um ex-aluno havia acabado de atirar pelas portas de vidro da escola de seu filho, a Silver Rail Elementary, em Bend, no Oregon, e aberto fogo contra uma sala de aula para alunos com necessidades especiais, matando um professor querido e três estudantes.

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A CNN Internacional concordou em ocultar o sobrenome de Michelle e os nomes dos membros de sua família por questões de privacidade.

Michelle disse ao filho que o amava, mas que ele precisava desligar imediatamente e permanecer em silêncio enquanto ela ligava para a emergência.

Como ela mesma era uma sobrevivente de um tiroteio em escola, ela sabia da importância de seu filho ficar em silêncio e não alertar o atirador sobre sua localização, disse ela.

Michelle fugiu imediatamente do restaurante Olive Garden, onde ela e sua mãe estavam almoçando, e ligou para o 911 enquanto corria, com sua mãe logo atrás dela.

Os operadores de emergência em Bend sempre atendiam imediatamente, em sua experiência – mas isso não aconteceu desta vez.

“Ficava apenas chamando, chamando, chamando, e ninguém atendia”, disse ela.

A falta de resposta gera pânico

Carros de polícia e caminhões de bombeiros lotavam as ruas enquanto Michelle se aproximava da escola. Pais alarmados a seguiam de perto enquanto ela corria em direção à Silver Rail Elementary.

“O que está acontecendo? Alguém está machucado?”, ela perguntava freneticamente aos pais e aos policiais enquanto se aproximava da frente da escola. Um policial os informou que o atirador estava morto, embora isso tenha oferecido pouco alívio.

Michelle viu uma turma do jardim de infância sentada no chão perto do estacionamento dos professores. “Eles estavam todos chorando, o que foi muito difícil de ver porque eles são muito pequenos”, disse ela.

Mesmo tendo recebido notícias de seu filho do quinto ano, a mente de Michelle se acelerou com pensamentos sobre seu filho do primeiro ano que permanecia dentro da escola.

Ela enviou uma mensagem de texto para a professora do filho mais novo, mas não obteve resposta, o que elevou seu “pânico a 100”.

Ela não tinha outra maneira de contatá-lo.

Flashbacks de sua própria experiência no tiroteio na Granite Hills High School em 2001 invadiram seus pensamentos, incluindo breves lembranças do atirador, um garoto com quem ela havia sentado ao lado na aula de física.

Mas essas memórias foram rapidamente superadas pelos pensamentos sobre seus próprios filhos em suas salas de aula.

‘Eles estavam seguros?’ ‘O que eles viram?’ Em um ciclo constante, seu cérebro repetia que ‘foi o seu filho’ quem havia levado um tiro.

A última quinta-feira (15) “foi honestamente o pior dia da minha vida, muito pior do que quando eu mesma passei por isso quando era criança”, disse ela.

Em certo momento, ela teve que se sentar na calçada da escola de seus filhos, pois começou a sentir tontura devido às emoções avassaladoras.

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar

O marido de Michelle, alertado pela mãe dela durante o trajeto do restaurante, também havia chegado à escola. A família foi redirecionada para a Journey Church, para onde as autoridades enviaram todos para se reencontrarem com seus filhos.

Enquanto os pais petrificados entravam na igreja que parecia um galpão, localizada em um centro comercial, e se sentavam em cadeiras dobráveis, Michelle notou uma mulher perto da frente, sentada sozinha.

O telefone celular da mulher tocou.

Ela atendeu a ligação e logo começou a chorar, caindo da cadeira. Outros pais correram para confortá-la.

Deduzindo qual notícia a mulher havia provavelmente recebido naquela ligação, Michelle olhou para a tela escura de seu próprio telefone pelas três horas seguintes, rezando para que ele não tocasse.

Mais tarde naquele dia, um amigo de infância lembrou Michelle de seu próprio processo de reencontro décadas antes. Depois que a equipe da SWAT liberou metodicamente cada sala, ela e seus colegas foram retirados em fila indiana com as mãos sobre as cabeças em direção a um parque onde os pais aguardavam.

Todas as crianças ao redor dela estavam gritando “mãe” e “pai”, então Michelle gritou o nome completo de sua mãe para se destacar na multidão e encontrá-la.

“Como um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar? Como posso passar por isso e depois meus filhos passarem por isso?”, perguntou ela.

Sabendo que seu filho mais velho estava a salvo, Michelle enviou uma mensagem de texto ao aluno do quinto ano para saber se ele tinha visto o irmão mais novo. Comunicando-se através da pequena tela de seu Apple Watch, ele disse que sim.

Michelle perguntou ao filho novamente, ao que ele confirmou que seu irmão estava vivo, mas os pensamentos de Michelle ainda estavam descontrolados.

“E se ele viu um garoto com uma camisa azul e achou que fosse (ele)? Eu ainda estava preocupada”, disse ela.

Finalmente, após três horas exaustivas de espera na igreja, Michelle se reuniu com seus dois filhos. O mais velho tinha ouvido os tiros e o som das pessoas gritando na escola.

Ao pegá-lo e dar-lhe um abraço, a primeira coisa que ele disse, em meio às lágrimas, foi: “Mãe, eu posso ser educado em casa? Eu nunca mais quero entrar naquela escola”.

Algumas horas após o tiroteio, na segurança de sua casa, com a adrenalina diminuindo, a mãe de Michelle virou-se para ela e disse que era melhor ligar para o restaurante Olive Garden para pagar a conta que haviam deixado para trás.

“Mãe, eu acho que o Olive Garden vai ficar bem”, respondeu Michelle.

Suportando o trauma

Mais tarde naquela noite, Michelle notou seu filho de 11 anos em seu iPad lendo uma manchete de notícias de que várias pessoas haviam morrido em sua escola.

Pela primeira vez, ela contou ao filho sobre sua própria história de sobrevivência.

“Isso aconteceu com você?”, ele perguntou com os olhos arregalados, e questionou se alguém havia morrido em sua escola de ensino médio.

Três estudantes e dois professores ficaram feridos no tiroteio na Granite Hills. Ninguém morreu.

Michelle tranquilizou o filho, mas ele não queria falar sobre o incidente. Ela disse a ele que estaria lá para conversar quando ele estivesse pronto.

Em 2001, Michelle lembra-se de se esconder embaixo de sua mesa e ouvir helicópteros sobrevoando sua escola. Após cerca de uma hora, quando se acreditava que o tiroteio havia acabado, mas ainda trancados na sala de aula, seu professor colocou um filme para passar o tempo. Era Karatê Kid.

Naquela época, telefones celulares eram raros entre os estudantes. Michelle recorda que seu professor deixou os alunos usarem o computador dele para enviar e-mails aos pais enquanto esperavam.

Durante uma reunião de trabalho nesta última segunda-feira (19), Michelle não parava de pensar no atirador de 18 anos de sua escola de ensino médio. A imagem recorrente do rosto dele obscurecia seus pensamentos enquanto ela tentava se concentrar.

Para Michelle, o trauma de suportar um tiroteio escolar significou nunca mais se sentir segura em sua escola ou em espaços públicos, percebendo-se sempre procurando a saída mais próxima em caso de emergência, e posteriormente desenvolvendo ataques de pânico.

Muito antes do tiroteio da semana passada, ela disse que sentia um aperto no estômago toda vez que deixava os filhos na escola, o que ela antes atribuía à ansiedade e ao seu próprio trauma.

“E se isso fosse apenas intuição? E eu acho que isso é provavelmente muito ridículo. Mas eu fiquei em choque”, disse ela.

Agora, seu filho mais velho parece estar enfrentando sentimentos semelhantes de pavor ao pensar em espaços públicos. A Cruz Vermelha e outras organizações realizaram um encontro no fim de semana para os estudantes e as famílias da Silver Rail.

“Eu não quero ir porque e se um terrorista aparecer e atirar em todos nós?”, perguntou o aluno do quinto ano a Michelle. Eles não compareceram ao evento.

Evitando a escola

Michelle não vê um caminho a seguir na escola primária neste momento e está pensando seriamente em educar em casa ambos os seus filhos, e diz que outros pais estão considerando o mesmo.

“Sinto que isso aconteceu comigo duas vezes. Quem garante que não vai acontecer uma terceira vez?”, disse Michelle.

Na semana que se seguiu ao tiroteio, ela agora evita dirigir perto da Silver Rail e opta por vias diferentes em vez disso. Ela foi ao memorial improvisado no sábado (17) para colocar flores, mas tentou não olhar muito de perto para a escola.

Ela disse que ver o prédio trouxe de volta flashbacks da angústia excruciante de incapacidade que sentiu ao correr em direção à escola na semana passada e não poder entrar, o que desencadeou memórias de procurar desesperadamente por seus próprios pais em uma multidão em 2001.

No início desta semana, em um local seguro do FBI (Federal Bureau of Investigation), Michelle recuperou os pertences que seus filhos deixaram na escola.

O processo de retirada dos itens estava muito bem organizado e oferecia elementos de conforto, como cães de terapia, bichos de pelúcia e lanches. Michelle disse ao agente do FBI que eles não tiveram nada parecido com isso após a sua experiência em um tiroteio escolar.

“E então (o agente) meio que me disse: ‘Infelizmente, nós tivemos 25 anos para aperfeiçoar este processo.’”

Pequenos passos adiante

Mas sua família também está dando pequenos passos em direção à cura, cada um processando o incidente à sua maneira.

No domingo (18), Michelle convidou um terapeuta para ir à sua casa conversar com seus filhos.

Com a presença do terapeuta e de sua mãe, o filho de 11 anos de Michelle finalmente começou a se abrir sobre algumas das perguntas em sua mente. “Por que isso aconteceu?”, ele perguntou.

Ele também queria saber quem eram as vítimas. Depois que contaram a ele, ele pegou seu anuário, olhou para as fotos delas e explicou algumas de suas memórias com elas. Depois, ele sentou-se na frente da TV, ainda com o anuário nas mãos, por “um bom tempo”, disse Michelle.

Ele saiu de casa na segunda-feira (20) pela primeira vez desde o tiroteio para tomar seu sorvete favorito.

O marido de Michelle visitou o memorial na noite de segunda, depois que as crianças dormiram, e viu-se rezando e processando seu próprio luto em torno da tragédia.

A família montou uma caixa de “brinquedos e livros grátis” no quintal de casa, onde as crianças do bairro podiam pegar brinquedos sensoriais e livros, com uma amiga encomendando livros elaborados para ajudar as crianças a processarem esse tipo de evento traumático.

Seu filho mais novo andou de bicicleta com alguns amigos no bairro e pediu à mãe para agendar encontros para brincar.

Michelle está trabalhando para lidar com a epidemia recorrente de violência armada em campi escolares dos Estados Unidos. Enquanto isso, ela está focada em tranquilizar seus filhos.

“Eu passei por isso. Eu estou bem. Vocês vão ficar bem”, ela lhes disse.

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