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Eleitores vão às urnas em massa diante do favoritismo da direita na França

Eleições foram convocadas há três semanas, após o presidente francês, Emmanuel Macron, dissolver o Parlamento

Internacional|Do Estadão Conteúdo


Presidente da França, Emmanuel Macron Paulo Pinto/Agência Brasil

Eleitores em toda a França votaram neste domingo (30) no primeiro turno das eleições parlamentares antecipadas, que podem colocar o governo nas mãos de partidos nacionalistas da direita pela primeira vez desde a 2ª Guerra. A participação estava incomumente elevada, em 59%, faltando três horas para o encerramento das urnas - são 20 pontos percentuais a mais do que a participação no mesmo período na última votação de primeiro turno em 2022.

Alguns pesquisadores sugeriram que a alta participação poderia moderar o resultado do Reagrupamento Nacional, da direita radical, possivelmente indicando que os eleitores fizeram um esforço extra para votar por medo de que o partido pudesse vencer

Mudanças à vista

A eleição, com segundo turno marcado para 7 de julho, poderá ter impacto nos mercados financeiros europeus, no apoio ocidental à Ucrânia, além da gestão do arsenal nuclear francês e da força militar global.

Muitos eleitores franceses estão frustrados com a inflação e outras preocupações econômicas, bem como com a liderança do presidente Emmanuel Macron, vista como arrogante e fora de sintonia com as suas vidas. O partido anti-imigração de Marine Le Pen, Reagrupamento Nacional, aproveitou esse descontentamento notavelmente por meio de plataformas online como o TikTok, e liderou as pesquisas de opinião pré-eleitorais.

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Uma nova coligação à esquerda, a Nova Frente Popular, formada pelos verdes, socialistas e a esquerda radical, também representa um desafio a Macron, que é pró-negócios, e a sua aliança centrista Juntos pela República. A Nova Frente Popular promete reverter uma impopular lei de reforma das pensões que elevou a idade de aposentadoria para 64 anos, entre outras reformas econômicas.

Há 49,5 milhões de eleitores registados que escolherão os 577 membros da Assembleia Nacional, a influente câmara baixa do parlamento francês.

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As primeiras projeções eleitorais eram esperadas para as 20h no horário local (15h no horário de Brasília), quando os últimos locais de votação fecham. Os primeiros resultados oficiais eram esperados para o final do domingo.

Macron votou em Le Touquet, um balneário no norte da França. Le Pen também votou no norte, reduto do seu partido, mas na cidade operária de Hennin-Beaumont.

Os eleitores em Paris tinham em mente questões que iam desde a imigração até o aumento do custo de vida, à medida que o país se tornava cada vez mais dividido entre os blocos de direita radical e de esquerda radical, com um presidente profundamente impopular e enfraquecido no centro político. A campanha foi marcada pelo aumento do discurso de ódio.

“As pessoas não gostam do que está acontecendo”, disse Cynthia Justine, 44 anos. “As pessoas sentem que perderam muito nos últimos anos. As pessoas estão com raiva. Eu estou com raiva.” Ela acrescentou que com “o crescente discurso de ódio”, era necessário expressar frustrações com aqueles que detêm e procuram o poder.

Aposta de alto risco

Macron convocou eleições antecipadas depois de o seu partido ter sido derrotado nas eleições para o Parlamento Europeu no início de junho pelo Reagrupamento Nacional, que tem ligações históricas com o racismo e o antissemitismo e é hostil à comunidade muçulmana da França. Também tem laços históricos com a Rússia.

O apelo de Macron foi uma aposta audaciosa de que os eleitores franceses que estavam complacentes com as eleições europeias seriam incitados a apoiar as forças moderadas nas eleições nacionais para manter a direita radical fora do poder.

Em vez disso, as pesquisas pré-eleitorais sugeriram que o Reagrupamento Nacional está ganhando apoio e tem chances de obter uma maioria parlamentar. Nesse cenário, seria de esperar que Macron nomeasse o presidente do Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, de 28 anos, como primeiro-ministro, em um estranho sistema de compartilhamento de poder conhecido como “coabitação”.

Embora Macron tenha dito que não renunciará antes do seu mandato presidencial terminar em 2027, a coabitação iria enfraquecê-lo a nível nacional e no cenário mundial.

Os resultados do primeiro turno darão uma imagem do sentimento dos eleitores, mas não necessariamente da composição geral da próxima Assembleia Nacional. As previsões são difíceis devido ao complicado sistema de votação e porque os partidos trabalharão entre os turnos para fazer alianças em alguns círculos eleitorais ou abandonar outros.

As promessas de Le Pen

No passado, tais manobras ajudaram a manter os candidatos da direita radical longe do poder. Mas o apoio ao partido de Le Pen espalhou-se profundamente.

Bardella, que não tem experiência de governo, diz que usaria os poderes de primeiro-ministro para impedir Macron de continuar a fornecer armas de longo alcance à Ucrânia para a guerra contra a Rússia.

O Reagrupamento Nacional também questionou o direito à cidadania das pessoas nascidas na França e quer restringir os direitos dos cidadãos franceses com dupla nacionalidade. Os críticos dizem que isso mina os direitos humanos e é uma ameaça aos ideais democráticos da França.

Enquanto isso, as enormes promessas de despesas públicas feitas pelo Reagrupamento Nacional e especialmente pela coligação de esquerda abalaram os mercados e despertaram preocupações sobre a pesada dívida da França, já criticada pelos órgãos de vigilância da União Europeia.

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