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Em Assis, papa pede que Igreja se abstenha da vaidade

Internacional|Do R7

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Por Philip Pullella

ASSIS, Itália, 4 Out (Reuters) - A Igreja Católica, do sacerdote mais modesto ao próprio pontífice, deve se livrar de toda "vaidade, arrogância e orgulho" e servir humildemente os membros mais pobres da sociedade, disse o papa Francisco nesta sexta-feira.

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O apelo do papa, feito na cidade de Assis, no centro da Itália, onde seu homônimo São Francisco viveu no século 12, foi feito em meio a um esforço de Francisco de mudar a visão de uma Igreja assolada por escândalos financeiros e abusos sexuais.

São Francisco é reverenciado pelos católicos e por muitos outros cristãos por sua simplicidade, pobreza e amor à natureza -- qualidades que o argentino Francisco usa para dar o tom a seu papado desde a eleição em março.

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"Essa é uma boa ocasião para convidar a Igreja a se livrar do materialismo", disse o papa em um aposento que marca o lugar onde São Francisco despiu-se quando jovem, renunciando à riqueza de sua família, e resolveu servir os pobres.

"Há um perigo que ameaça qualquer um na Igreja, todos nós. O perigo do materialismo. Nos leva à vaidade, à arrogância e ao orgulho", disse Francisco no aposento ricamente adornado com afrescos da residência do arcebispo de Assis.

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Como vem fazendo frequentemente, Francisco falou de improviso depois de deixar de lado versões preparadas de dois discursos, claramente sensibilizado pelas pessoas pobres e doentes no aposento.

Francisco levou um novo estilo de abertura, consulta e simplicidade ao Vaticano. Poucos dias depois de sua eleição, ele disse que queria ver "uma Igreja que é pobre e para os pobres".

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Ele evitou os espaçosos apartamentos papais em troca de alojamentos espartanos na hospedaria do Vaticano, e pediu a todos os membros do clero, independentemente do cargo, que rejeitassem o conforto e saíssem entre os pobres e os necessitados.

Francisco disse que todos os membros da Igreja, incluindo bispos, cardeais e o próprio papa, têm que evitar as armadilhas de dar importância a coisas mundanas e ser mais humildes.

"O materialismo nos traz vaidade, arrogância, orgulho e esses são ídolos... Todos nós precisamos nos livrar desse materialismo", disse.

Francisco, o primeiro papa não europeu em 1.300 anos e o primeiro da América Latina, formou três comitês para assessorá-lo na missão de tornar o Vaticano mais transparente, principalmente com relação a suas transações financeiras.

Ele também disse que conventos e monastérios católicos vazios deveriam ser abertos para abrigar imigrantes e refugiados.

O papa condenou um mundo "que não se importa com tantas pessoas que têm que fugir da pobreza e da fome, fugir em busca de liberdade e muitas vezes encontrar a morte, como aconteceu ontem em Lampedusa".

Francisco se referia ao naufrágio de um barco imigrante na ilha de Lampedusa, ao sul da Itália, na quinta-feira, no qual mais de 300 pessoas podem ter morrido.

"Hoje é um dia para lamentar", disse Francisco sobre a tragédia.

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