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Entenda a crise de moradia na Espanha e por que isso antecipou as eleições

Caso envolvendo despejo de uma mulher de 87 anos de sua residência em Madri foi estopim para protestos no país

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, antecipou as eleições para 29 de novembro devido à crise de moradia no país.
  • A crise é marcada pelo aumento dos aluguéis e preços dos imóveis, falta de oferta e casos de despejo, como o de Maricarmen Abascal, de 87 anos.
  • O déficit habitacional é agravado pela diferença entre novas moradias construídas e a demanda crescente, com um aumento significativo nos preços dos imóveis e aluguéis.
  • O governo propôs medidas para enfrentar a crise, mas enfrenta resistência no Congresso, enquanto a oposição e setores governistas têm propostas divergentes para resolver o problema.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Eleições na Espanha seriam apenas em 2027 Reprodução/Governo da Espanha

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou na segunda-feira (5) a antecipação das eleições gerais para 29 de novembro. A decisão ocorre em meio à pressão provocada pela crise de moradia no país, marcada pelo aumento dos aluguéis e dos preços dos imóveis, pela falta de oferta e por casos de despejo que passaram a ganhar destaque no debate político.

Um dos casos que mais chamou atenção recentemente foi o de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que enfrentou uma ordem de despejo de sua residência em Madri. O caso mobilizou manifestantes e organizações que defendem o direito à moradia e transformou a aposentada em um dos símbolos da dificuldade enfrentada por pessoas que não conseguem arcar com os custos cada vez maiores de viver nas grandes cidades espanholas.

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A situação da idosa ocorreu em um momento em que a habitação já havia se tornado uma das principais preocupações da população e um dos temas mais sensíveis para o governo de Sánchez.

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Por que a moradia virou crise na Espanha

A Espanha enfrenta um descompasso entre a quantidade de novas moradias e o crescimento da demanda. Entre 2022 e 2024, foram emitidas cerca de 345 mil licenças para construção, enquanto aproximadamente 604 mil novos domicílios foram formados no período.

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O Banco da Espanha estimou um déficit de cerca de 600 mil imóveis entre 2022 e 2025. A falta de oferta é especialmente sentida nas regiões metropolitanas e em cidades com forte procura turística e de trabalhadores.

Ao mesmo tempo, os preços continuam subindo. No quarto trimestre de 2025, o valor dos imóveis residenciais espanhóis teve alta de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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O custo do aluguel também pesa sobre as famílias. Em 2025, 26,8% dos moradores que pagavam aluguel pelo preço de mercado comprometiam mais de 40% da renda com despesas relacionadas à moradia. Na União Europeia, a média era de 18,6%.

O problema afeta especialmente os mais jovens. Mais da metade dos espanhóis nessa faixa etária ainda vive com os pais, enquanto a habitação social representa apenas cerca de 3% do estoque de imóveis do país.

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O que o caso de Maricarmen revela

A história de Maricarmen Abascal ganhou repercussão justamente por mostrar como a crise vai além dos números. Aos 87 anos, a aposentada passou a enfrentar o risco de deixar a casa onde vivia, em um contexto de aumento dos custos habitacionais e dificuldade de encontrar alternativas acessíveis.

O caso provocou protestos em Madri e passou a ser usado por movimentos sociais para cobrar uma atuação mais forte do poder público. Para esses grupos, situações como a da idosa mostram o impacto da falta de imóveis acessíveis sobre pessoas que têm pouca margem para absorver aumentos no custo da moradia.

O governo de Sánchez tentou responder à pressão com medidas voltadas ao setor. Entre as iniciativas estão a criação de um portal de habitação pública, com centenas de imóveis inicialmente disponíveis e novos projetos previstos, além de medidas emergenciais para proteger determinados inquilinos e limitar temporariamente aumentos de aluguel em algumas situações.

Parte dessas propostas, porém, encontrou resistência no Congresso. O governo não possui maioria própria e depende do apoio de outros partidos para aprovar seus projetos. Dois decretos relacionados à habitação foram rejeitados pelos parlamentares.

A dificuldade para avançar com essas medidas aumentou a pressão política sobre Sánchez. A oposição defende, entre outras medidas, o aumento da construção de imóveis e uma ampliação da oferta. Já setores que apoiam o governo cobram políticas de proteção aos inquilinos e expansão da habitação pública.

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