Entenda escândalo e ordem de prisão contra Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina
Cristina governou a Argentina por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2015, sucedendo o marido Néstor Kirchner, morto em 2010
Internacional|Do R7

A Suprema Corte da Argentina confirmou nesta terça-feira (10) a condenação da ex-presidente do país, Cristina Kirchner, a seis anos de prisão, além de torná-la inelegível de forma definitiva para qualquer cargo público. A decisão marca o fim de um processo judicial iniciado em 2019, que investigou um esquema de corrupção bilionário no setor de obras públicas durante os governos do casal Kirchner.
A sentença está relacionada ao caso “Vialidad”, no qual Cristina é acusada de chefiar uma rede de favorecimento a empresários aliados por meio de licitações fraudadas na província de Santa Cruz, reduto político do casal Kirchner.
De acordo com a Procuradoria da Argentina, entre 2003 e 2015, foram concedidos 51 contratos para obras rodoviárias que, em grande parte, foram superfaturados, não concluídos ou considerados desnecessários. O valor do prejuízo estimado aos cofres públicos chega a US$ 1 bilhão.
Leia mais:
O principal beneficiado, segundo a Justiça, foi o empresário Lázaro Báez, amigo próximo de Néstor e Cristina Kirchner. Sem histórico no setor de infraestrutura, Báez se tornou dono de uma das principais empreiteiras da região logo após a chegada dos Kirchner ao poder. O Ministério Público o descreve como “testa de ferro” do casal e peça central no desvio de verbas públicas.
A condenação de Cristina já havia sido decidida em primeira instância, em 2022, e confirmada em 2024 por um tribunal de apelações. Agora, com a decisão da Suprema Corte, a pena torna-se definitiva. A ex-presidente ainda não foi presa, mas sua situação jurídica se agravou consideravelmente.
A Suprema Corte também ratificou, no fim de maio, a condenação de Lázaro Báez por lavagem de dinheiro em outro processo, conhecido como “Ruta del dinero K”, no qual ele e aliados do kirchnerismo foram acusados de movimentar milhões de dólares em contas no exterior com origem ilícita.
Cristina Kirchner nega as acusações e afirma ser vítima de lawfare, termo utilizado para classificar uma perseguição judicial com motivações políticas.
Em discurso realizado horas após a decisão, na sede do Partido Justicialista, em Buenos Aires, ela chamou os juízes da Suprema Corte de “fantoches do poder econômico” e criticou duramente o atual presidente argentino Javier Milei. Segundo ela, a condenação já estava “escrita há muito tempo” e faz parte de um processo de perseguição a lideranças populares na América Latina.
A ex-presidente afirmou ainda que, diante do atual cenário político argentino, uma eventual prisão representaria “um certificado de dignidade”. Ela comparou seu caso ao de outros políticos acusados de corrupção que, segundo ela, não foram investigados com o mesmo rigor. “A história vai julgar”, disse.
Cristina governou a Argentina por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2015, sucedendo o marido Néstor Kirchner, morto em 2010. Entre 2019 e 2023, voltou ao poder como vice-presidente no governo de Alberto Fernández, mantendo forte influência política mesmo fora do cargo executivo máximo.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














