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ENTREVISTA-Oposição venezuelana baseará campanha nas "mentiras" do governo

Internacional|Do R7

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Por Marianna Parraga

CARACAS, 12 Mar (Reuters) - Com pouco tempo para se reorganizar e com a morte de Hugo Chávez sensibilizando milhões de venezuelanos, a oposição buscará revelar as "mentiras" dos herdeiros do comandante, enquanto enfrenta a enorme máquina política do Estado em uma campanha eleitoral que será "difícil", de acordo com um dos principais líderes oposicionistas.

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Leopoldo López, um aliado próximo do candidato da oposição, Henrique Capriles, disse em entrevista à Reuters que o primeiro obstáculo a superar será a memória do falecido presidente. O segundo será convencer sua base de apoio que o sucesso é possível.

"Não é fácil, não só porque o início da campanha acontece com o próprio funeral de Chávez, mas porque ela é marcada pelo abuso de poder e mentiras, o que é ultrajante", afirmou López, que coordenou a campanha de Capriles em 2012, quando ele perdeu para Chávez mas conseguiu uma votação recorde para a oposição.

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O jovem governador terá de enfrentar desta vez o herdeiro político de Chávez, Nicolás Maduro, atual presidente interino do país petroleiro.

Para López, um dos maiores desafios da campanha eleitoral mais curta na história do país é conseguir repetir a participação recorde de 80 por cento, registrada em 2012.

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Chávez ganhou mais de 8 milhões de votos nas eleições de outubro passado, mas Capriles conseguiu 6,6 milhões de votos e, em dezembro, ganhou o estratégico governo de Miranda, uma das poucas vitórias da oposição nas eleições estaduais.

Pesquisas realizadas antes da morte do ex-presidente davam a Maduro uma vantagem de mais de 10 pontos sobre seu rival, uma diferença inferior à que separava Capriles e Chávez em julho.

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O Conselho Nacional Eleitoral determinou apenas 10 dias para a campanha, o que dificulta as estratégias de ambos os lados, que já começaram a trocar acusações e insultos de alto calibre.

O discurso de Capriles no domingo, quando ele confirmou que tinha concordado em ser o candidato de uma coalizão de mais de 30 partidos de oposição, foi incendiário.

"O que eu digo às pessoas que confiaram em mim alguns meses atrás? O que eu digo ao nosso povo? Que vamos nos condenar a estes? A Nicolás e seu grupo?", disse o político, de 40 anos.

A resposta de Maduro foi imediata, chamando-o de "perdedor" e "miserável".

López disse que uma das principais mensagens da campanha da oposição será a "mentira" do governo. Eles acusam o governo de enganar as pessoas sobre as condições de saúde e a morte de Chávez, e afirmam que Maduro não tem o necessário para substituir seu mentor.

"Nem toda Venezuela é Chávez, isso não foi verdade nem nos melhores momentos de Chávez", afirmou López, lembrando que a oposição conseguiu parar uma emenda constitucional em 2007 e ganhou 52 por cento dos votos nas eleições legislativas de 2010.

Capriles insistiu no ano passado que a luta da oposição contra o governo seria igual à de Davi e Golias, por causa dos amplos recursos disponíveis para a máquina política do governo.

Na campanha de 2012, a oposição denunciou várias vezes as longas e frequentes presenças de Chávez no rádio e na televisão e a combinação de atos oficiais com as atividades de campanha, com o consentimento do órgão eleitoral.

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