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ENTREVISTA-Um ano após renúncia, papa emérito Bento 16 não tem arrependimentos

Internacional|Do R7

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Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO, 9 Fev (Reuters) - Um ano depois de sua surpreendente renúncia, o papa emérito Bento 16 não tem arrependimentos e acredita que a história vai reconhecer o seu papado tumultuado e muito criticado, disse à Reuters o homem mais próximo a ele em uma rara entrevista.

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O arcebispo Georg Ganswein, que agora trabalha para o antigo papa, além de ser assessor do papa Francisco, deu detalhes de como Bento 16 passa seus dias, como está a sua saúde, seus sentimentos sobre a sua decisão e o relacionamento entre os dois pontífices.

"O papa Bento está em paz consigo e acho que ele até está em paz com Deus", disse Ganswein, cujas duas funções o colocam em contato com o papa atual e o papa emérito diariamente.

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Bento 16 anunciou a sua decisão de renunciar, o primeiro papa a fazê-lo em 600 anos, em 11 de fevereiro de 2013, citando problemas físicos e psicológicos do papado. Ele deixou o cargo em 28 de fevereiro e Francisco foi eleito em 13 de março como o primeiro pontífice não-europeu em 1.300 anos.

Ganswein, que esteve ao lado de Bento 16 desde a sua eleição em 2005, disse que o papa emérito não tem arrependimentos sobre ter deixado o cargo e tampouco ressentimentos contra seus críticos que, segundo o Vaticano, não o entenderam.

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"Não. Está claro que humanamente falando, muitas vezes é doloroso ver que o que está escrito sobre alguém não corresponde ao que foi feito. Mas a medida do trabalho de alguém, do modo de alguém fazer as coisas, não é o que os meios de comunicação escrevem, mas o que é justo diante de Deus e da consciência."

"Tenho certeza, realmente convencido, de que a história vai apresentar um julgamento que será diferente do que as pessoas frequentemente leram nos últimos anos do seu pontificado", disse Ganswein em entrevista por telefone.

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Bento 16, que agora mora em um antigo convento nos jardins do Vaticano, disse antes de deixar o pontificado que passaria o resto dos seus dias "escondido do mundo" em isolamento e oração. Ele foi fotografado apenas quatro vezes desde então.

"De fato, ele está afastado do mundo, mas está presente na Igreja. Sua missão agora, como ele disse uma vez, é ajudar a Igreja e seu sucessor, o papa Francisco, através da oração. Essa é a sua primeira e mais importante tarefa", disse Ganswein.

Ele disse que Bento 16 passa o tempo estudando, lendo, lidando com correspondências, recebendo visitantes, tocando piano e orando enquanto passeia pelos jardins do Vaticano.

"Ele está bem, mas, certamente, ele é uma pessoa que carrega o peso de sua idade. Então, ele é um homem que está fisicamente velho, mas seu espírito é muito vivaz e muito claro", disse Ganswein.

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