EUA e Irã: entenda em 7 pontos o conflito
Governo americano pressionava por restrições ao programa nuclear de Teerã; medidas foram rejeitadas
Internacional|Do R7
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Estados Unidos e Israel realizaram, neste sábado (28), um ataque coordenado contra o Irã. Nos últimos meses, o governo americano vinha pressionado Teerã a impor restrições sobre o seu programa nuclear, o que foi rejeitado.
Entre os alvos dos ataques contra o território iraniano estão o líder supremo, Ali Khamenei. Não há informações se ele foi ferido. Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian está em segurança, segundo a agência estatal IRNA.
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De acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as ações têm como objetivo “defender o povo americano” diante do que descreveu como ameaças imediatas e contínuas do regime iraniano.
O republicano caracterizou a ofensiva como parte de uma campanha para neutralizar capacidades estratégicas de Teerã, incluindo mísseis e infraestrutura militar, incluindo armas nucleares, e reforçar a segurança dos aliados dos EUA na região.
O Irã respondeu ao ataque deste sábado com o lançamento de mísseis e drones contra Israel, além de atingir instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein, no Kuwait e no Catar, onde explosões foram ouvidas ao longo da manhã.
Entenda em 7 pontos o conflito entre EUA e Irã
1 - Cooperação nuclear
Apesar de exigirem atualmente que Teerã encerre o programa nuclear, os Estados Unidos tiveram papel decisivo em seu desenvolvimento na década de 1950.
Na época, os dois países assinaram um acordo de cooperação, (que posteriormente deu origem ao programa nuclear iraniano) que previa o uso civil da energia atômica dentro de uma iniciativa do governo americano destinada a transferir tecnologia a nações em desenvolvimento.
Como parte disso, em 1967, os EUA forneceram aos iranianos urânio altamente enriquecido e um reator nuclear de pesquisa de 5 megawatts.
Já em 1970, o Irã assinou um tratado que previa que o país não tentasse obter nem desenvolver armas nucleares.
2- Rompimento das relações
As relações entre Estados Unidos e Irã começaram a se deteriorar mais profundamente com a Revolução Islâmica em 1979, após estudantes invadirem a embaixada americana em Teerã, mantendo dezenas de reféns americanos por mais de 1 ano.
A invasão culminou na queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, além rompimento das relações diplomáticas entre os países em 1980.
A partir daí, o governo americano passou a aplicar sanções contra o iraniano. Em 1987, já sob o regime dos aiatolás, o programa nuclear passa a ser usado como trunfo contra Estados Unidos e Israel.
3 - Acordo no governo Obama
Um acordo nuclear firmado entre o Irã e governo americano em 2015, durante o mandato do ex-presidente Barack Obama, fez com que Teerã aceitasse limitar, sob controle das ONU (Organização das Nações Unidas), o enriquecimento de urânio a 3,67%, além de reduzir seu estoque de material enriquecido a 300 quilos.
Esse montante era visto como adequado para abastecer usinas nucleares, mas insuficiente para a fabricação de armamentos. Em troca, os Estados Unidos suspenderam parte das sanções que haviam imposto ao país.
Mas em seu primeiro mandato na presidência dos EUA, Trump retirou o país do acordo com Teerã, que retomou o programa nuclear sem a fiscalização da ONU.
Em maio do ano passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alertou que o Irã estocava mais de 400 kg de urânio enriquecido a 60%.
Embora as armas nucleares necessitem de urânio com enriquecimento superior a 90%, não há registro de países sem armamento nuclear que conservem urânio em níveis tão elevados quanto 60%.
4 - EUA voltam a exigir fim do programa nuclear
Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, Trump pressiona para que Teerã encerre integralmente o seu programa nuclear e de mísseis balísticos.
O governo americano e parte de seus aliados defendem que o programa iraniano tem como objetivo a produção de armas nucleares.
Teerã rejeita a possibilidade de suspender os investimentos no setor e afirma que as atividades têm finalidade exclusivamente civil, voltadas ao atendimento de demandas energéticas do país.
O país também nega ter uma bomba nuclear, o que é contestado pela comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na quinta-feira (26), as delegações iranianas e americanas encerraram a última rodada de negociações antes do ataque com objetivo de discutir o programa nuclear.
O encontro, feito em Genebra, na Suíça, terminou sem um acordo final, mas, segundo o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, com “progressos significativos nas negociações” e com expectativa de que os diálogos fossem retomados futuramente.
5 - Mísseis balísticos
Além do programa nuclear, os Estados Unidos também pressionam o Irã a limitar o alcance de seus mísseis balísticos.
Entre os principais modelos iranianos estão os mísseis balísticos e de cruzeiro Emad, Khorramshahr, Ghadr, Sejjil e Soumar, cujos alcances variam aproximadamente entre 1.700 e 2.500 quilômetros.
Embora esteja em clara desvantagem diante do poderio da Marinha e da Força Aérea dos Estados Unidos, o Irã poderia responder a eventuais ataques com seu poderio, com parte dele estando armazenado em cavernas, instalações subterrâneas ou áreas montanhosas de difícil acesso.
6 - Tensões se intensificaram após protestos
Manifestações antigoverno intensificaram a escalada de tensão entre os dois países nas últimas semanas e configuraram o maior desafio ao regime iraniano em anos.
Trump ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança reagissem com violência. Já o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, pediu que Trump “cuide de seu próprio país” e acusou os Estados Unidos de fomentarem os protestos.
O presidente americano também defendeu a necessidade de uma nova liderança no Irã, após Khamenei tê-lo chamado de “criminoso” por apoiar os atos antigovernamentais.
De acordo com o Centro Internacional para Direitos Humanos, mais de 40 mil pessoas morreram durante os atos, que começaram nos bazares de Teerã como protestos contra a inflação elevada e rapidamente tomaram o país.
7 - Bases militares
O Irã é visto como um país estratégico no Oriente Médio, tanto por sua posição geopolítica, às margens do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, uma das principais rotas globais de transporte de energia, quanto por suas vastas reservas de petróleo e gás.
A reação do Irã aos ataques de Israel e a instalações militares americanas em países vizinhos pode agravar ainda mais a instabilidade na região.
Os EUA já haviam reforçado a sua presença militar no Oriente Médio. Isso se deu pelo envio do porta-aviões USS Gerald Ford, que conta com destróieres, além de um submarino nuclear e dezenas de jatos. Em novembro, ele tinha sido deslocado para a Venezuela como uma forma de pressionar o regime de Nicolás Maduro, desposto do poder em uma operação militar em Caracas em janeiro.
O USS Abraham Lincoln também foi deslocado para a região. A embarcação pode atingir 55 quilômetros por hora, lançar até quatro aviões por minuto, transportar até 5.500 tripulantes, lançadores de mísseis e metralhadoras.
O poderio militar na região ainda conta com 12 caças F-22 e drones “kamikaze”, que têm amplo alcance e foram projetados para operar de forma autônoma.
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