EUA querem usar o espaço para enviar suprimentos a campos de batalha
Forças Aérea e Espacial avaliam cápsulas orbitais capazes de transportar cargas rapidamente até regiões remotas
Internacional|Do R7
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Os Estados Unidos estudam usar o espaço como uma rota para levar suprimentos rapidamente a zonas de conflito e outras regiões de difícil acesso. A proposta, desenvolvida pelas Forças Aérea e Espacial americanas, prevê lançar cargas ao espaço e fazê-las retornar à Terra próximas do local onde sejam necessárias.
As pesquisas ganharam ritmo no último ano e passaram por uma mudança de foco. Inicialmente, o Pentágono avaliava principalmente o uso de grandes foguetes reutilizáveis para transportar dezenas de toneladas de materiais. Agora, os militares demonstram maior interesse por cápsulas menores de reentrada.
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A ideia é que essas cápsulas possam transportar equipamentos e outros suprimentos para bases distantes, campos de batalha ou locais com pouca infraestrutura. Um único lançamento também poderia levar várias unidades destinadas a pontos diferentes.
Segundo o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea dos EUA (AFRL, na sigla em inglês), esse modelo facilitaria o descarregamento rápido dos materiais e ampliaria o número de terrenos onde as cargas poderiam ser entregues.
Projeto previa transportar até 30 toneladas
As iniciativas atuais derivam do Rocket Cargo, programa criado pelo AFRL em junho de 2021. O objetivo original era estudar o lançamento, a partir dos Estados Unidos, de foguetes com até 30 toneladas de suprimentos.
Essas cargas seriam enviadas ao espaço e, mais tarde, direcionadas para bases ou áreas de operações militares em outros pontos do planeta.
O Rocket Cargo, porém, está sendo reduzido. A Força Aérea zerou os recursos do programa em seu orçamento para 2026, enquanto a Força Espacial reservou apenas alguns milhões de dólares para 2026 e 2027.
Apesar disso, projetos derivados da iniciativa continuam recebendo investimentos.
Cápsulas seriam lançadas para diferentes destinos
Uma das principais frentes é o chamado Payload Delivery System (PDS), financiado conjuntamente pelas Forças Aérea e Espacial.
O programa está desenvolvendo cápsulas de reentrada de baixo custo e com capacidade para transportar grandes volumes de carga.
Segundo o AFRL, uma das vantagens seria a possibilidade de lançar várias cápsulas em um mesmo foguete e enviá-las para locais diferentes, aproximando os suprimentos dos pontos onde seriam necessários.
Os militares também querem que os sistemas possam operar em regiões consideradas de difícil acesso, incluindo áreas terrestres ou marítimas com pouca infraestrutura.

Militares querem diversificar as opções de fornecedores
O conceito de cápsulas de reentrada já é utilizado há décadas pela Nasa para trazer astronautas e experimentos de volta à Terra. Esses veículos, no entanto, costumam ser grandes e caros.
Empresas privadas passaram recentemente a desenvolver sistemas menores para aplicações comerciais, como levar à Terra produtos fabricados no espaço.
De acordo com o site Factories in Space, havia 65 empresas no mundo trabalhando em algum estágio de desenvolvimento de veículos de reentrada de carga em setembro de 2025.
O AFRL afirmou ter mantido contatos com empresas como SpaceX, Blue Origin, Rocket Lab, Sierra Space, Varda Space Industries, Inversion Space e Outpost Space, além de outras companhias menores.
A SpaceX realizou em 23 de junho a primeira demonstração de sua cápsula Starfall. A Blue Origin ainda não realizou um lançamento.
O objetivo dos militares é criar uma ampla rede de fornecedores capazes de oferecer cápsulas de baixo custo e diferentes opções de lançamento.
Outra iniciativa é o Point-to-Point Delivery (P2D), programa da Força Espacial dedicado ao transporte rápido de cargas.
O projeto estuda tanto a possibilidade de manter suprimentos previamente posicionados em órbita quanto realizar entregas suborbitais e orbitais entre diferentes regiões do planeta.
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