Ex-chefe do exército de Ruanda tem pena de 30 anos por genocídio confirmada
Internacional|Do R7
Nairóbi, 30 jun (EFE).- O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) confirmou nesta segunda-feira a pena de 30 anos imposta ao ex-chefe do exército de Ruanda Augustin Bizimungu como um dos maiores responsáveis do genocídio de 1994, no qual 800 mil pessoas, a maior parte da etnia tutsi, foram assassinadas. O Tribunal ratificou de forma unânime a condenação dada em maio de 2011, na qual declarou culpado de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, informou a "Agência Ruandesa de Notícias" (RNA). Bizimungu, de 61 anos, foi detido em 15 de agosto de 2002 em Luanda, capital de Angola. Ele chegou à chefia das Forças Armadas após a morte de seu antecessor, qie foi vítima de um atentado que custou a vida do presidente ruandês da etnia hutu, Juvénal Habyarimana, cujo avião foi derrubado em 6 de abril de 1994 quando se aproximava do aeroporto de Kigali. Desde a madrugada de 7 de abril até o final de julho deste ano, uma campanha de extermínio da minoria tutsi, planificada pelas autoridades ruandesas, matou cerca de um milhão de tutsis e hutus moderados, em massacres com facões e armas de fogo por milícias extremistas, soldados e população civil. Segundo a sentença, Bizimungu organizou e ordenou os massacres e contribuiu para a distribuição e para o treinamento das milícias juvenis que realizaram os massacres. O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu o TPIR em Arusha no final de 1994 para julgar os principais responsáveis do genocídio ruandês, que em 2014 completou 20 anos. Ruanda conta com uma população de 10 milhões de habitantes, a grande maioria hutu (agricultores) e a minoria tutsi (proprietários de gado), que controlou durante longos períodos o país. Este fato, somado, entre outros fatores, à pressão populacional e a disputa entre terreno arável e gramados no pequeno e montanhoso país africano, além das divisões promovidas pela ex-metrópole, Bélgica, terminou por criar ressentimento e fragmentação entre a população. Após o massacre, se impôs no país a milícia tutsi da Frente Patriótica Ruandesa (FPR), liderada pelo atual presidente, Paul Kagame, que desde então governa o país de forma autoritária com uma administração dominada por esta etnia minoritária. EFE jmc/cdr












