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Ex-presidente Mursi e ativistas vão a julgamento no Egito

Internacional|Do R7

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CAIRO, 19 Jan (Reuters) - O presidente deposto do Egito Mohamed Mursi vai ser julgado por ter insultado o Judiciário, segundo afirmaram fontes judiciais neste domingo, ao lado de outras 24 pessoas, incluindo ativistas liberais que se opuseram ao mandato pró-islâmico de Mursi mas que também são críticos do novo governo apoiado pelo Exército.

Este é o quarto processo que Mursi enfrenta desde que foi deposto pelo Exército em julho de 2013, após protestos contra um governo que durou somente um ano.


O julgamento também mostra a enorme pressão exercida sobre os ativistas secularista, que ajudaram a derrubar Hosni Mubarak em 2011, criticaram a Irmandade Muçulmana de Mursi, mas também se opuseram ao novo regime egípcio, comandado pelas Forças Armadas.

Entre os não-islamistas acusados estão ex-membros do Parlamento, como Amir Hamzawy e Mostafa El Naggar, além de Alaa Abdel Fattah, um blogueiro ativista detido em novembro e já com julgamento em curso por ter organizado protestos sem permissão.


A acusação de insultar o Judiciário pode levar a uma pena de até três anos de cadeia no Egito.

Mursi já havia sido acusado de incitar a violência e conspirar com militantes estrangeiros contra a soberania do país.


O governo interino atual tem aumentado a pressão sobre a Irmandade Muçulmana, rotulada como uma organização terrorista. As forças armadas mataram centenas de apoiadores da Irmandade assim que Mursi foi deposto, e prendeu outros milhares.

O governo acusa a Irmandade de ter se convertido em um grupo violento. A Irmandade, que já foi o movimento político e religioso mais bem organizado do país e chegou a ganhar cinco eleições consecutivas, nega qualquer ligação com violência e acusa o Exército de encenar um golpe militar.


Mursi comparecerá ao tribunal no dia 28 de janeiro. A junta provisória que comanda o Egito planeja uma transição política que convocará eleições presidenciais e parlamentares ainda neste ano, com o chefe do Exército, o general Abdel Fattah al-Sisi visto como um dos prováveis candidatos.

Os egípcios votaram a nova Constituição em um referendo na última semana, com 98,1 por cento da população votando pelo "sim", de acordo com resultados oficiais. O pleito foi boicotado pela Irmandade.

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