Família judaica reivindica restituição de "Friso de Beethoven"
Internacional|Do R7
Viena, 16 out (EFE).- Os herdeiros de uma família judaica saqueada pelos nazistas na Áustria reivindicam ao Ministério de Cultura a restituição do famoso "Friso de Beethoven", de Gustav Klimt, ao considerar que, após sua devolução em 1973, o Estado adquiriu de novo a obra por um preço abaixo do marcado e sob fortes pressões. A solicitação da restituição foi entregue ontem ao Ministério de Cultura da Áustria, informou nesta quarta-feira à Agência Efe Marc Weber, o advogado suíço que representa uma parte dos herdeiros da família Lederer. O "Friso de Beethoven", exposto na Secession de Viena, foi desapropriado da família judaica em 1938, após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista. Após a Segunda Guerra Mundial, o Estado austríaco devolveu a obra a Erich Lederer, o herdeiro da família, mas proibiu o mesmo de tirá-la do país, assim como o restante das obras da coleção, se amparando na legislação da época. No entanto, o governo austríaco permitiu a saída das obras, mas somente se Lederer vendesse o "Friso" a um preço de US$ 750 mil, um valor muito abaixo do mercado. "O Estado lhe obrigou a vender a obra por um preço muito baixo. Na ocasião, ele não tinha outra possibilidade", argumentou Weber, quem indicou que manobra do governo austríaco foi como uma espécie de extorsão. O proprietário, que passava por sérios problemas financeiros, concordou com a venda, e o "Friso" acabou ficando na Áustria, onde foi restaurado posteriormente. Apesar de antiga, a disputa em questão veio à tona ainda em 2009, quando uma reforma legal abriu espaço para restituição de obras cuja aquisição pelo Estado esteve relacionada com a lei de veto à exportação. "Antes não teria sido possível solicitar a devolução porque a lei foi modificada em 2009. Averiguamos durante anos essa questão, assim como a história da família. No final, concluímos que, com a nova legislação, a restituição do 'Friso de Beethoven' era viável", indicou o advogado. Agora, uma comissão encarregada de analisar as solicitações de restituições das obras de arte terá que examinar o caso e formular uma recomendação ao Ministério de Cultura. Segundo Weber, a família ainda não decidiu se, em caso de devolução, o "Friso" será novamente vendido à Áustria sob novas condições ou se será retirado do país. Por sua parte, o Ministério de Cultura da Áustria indicou à Efe que ainda não tem formulado essa solicitação de restauração de maneira oficial e que só conhece o assunto através da imprensa local. "Não recebemos nenhum escrito. Normalmente, os solicitantes (a família) têm que argumentar a solicitação", explicou Raimund Lang, porta-voz do Ministério. Lang assegurou não poder facilitar mais informações por não conhecer os fundamentos da demanda reivindicação e explicou que o caso será estudado com normalidade pelo conselho responsável destes casos em sua próxima reunião. Nesse sentido, o porta-voz negou que se trate de um caso especial, pelo fato da obra ser tão conhecida, e assegurou que todos os pedidos são tratados com o mesmo profissionalismo. EFE as/fk










