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Farc anunciam pausa temporária nas negociações de paz com o governo da Colômbia

Presidente Santos aceita pedido, mas cobra urgência e diz que processo de paz tem de continuar

Internacional|Do R7

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Negociadores das Farc chegam a local de reuniões em Havana, onde anunciaram a "pausa" no processo de paz
Negociadores das Farc chegam a local de reuniões em Havana, onde anunciaram a "pausa" no processo de paz

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, considerou legítima e válida a pausa anunciada nesta sexta-feira (23) pela guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nas conversações de paz, mas pediu a elas que acelerem o processo de negociação.

As Farc anunciaram que fará uma pausa nas conversações com o governo colombiano para analisar a proposta de realização de um referendo sobre um futuro acordo de paz feita ontem por Santos.


"Ante esta nova circunstância, a delegação de paz das Farc decidiu fazer uma pausa na discussão para centrar-se exclusivamente na análise dos alcances da proposta governamental", afirmou a guerrilha em um comunicado lido à imprensa por Pablo Catatumbo, integrante da delegação que negocia a paz com o governo Santos em Havana, Cuba, desde novembro de 2012.

— Pedimos que entendam que queremos agir com responsabilidade, com sensatez, maturidade, com ponderação na análise desta conjuntura que nos foi apresentada.


O presidente colombiano julgou legítima a decisão da guerrilha, mas disse que o processo de paz não pode ser interrompido.

— Entendo que a guerrilha tenha dito: vamos nos levantar da mesa para estudar esta proposta. É perfeitamente legítimo e válido que o façam, mas o tempo passa e a paciência do povo colombiano tem seu limite e temos que continuar avançando.


O dirigente guerrilheiro, que não informou quanto tempo vai durar esta pausa, recordou que o grupo rebelde havia proposto convocar "uma assembleia nacional constituinte para que o cidadão decida sobre temas cruciais para todos os colombianos".

Em 11 de junho, as Farc, que exigiram reiteradamente uma assembleia constituinte, propuseram adiar por um ano as eleições legislativas e presidenciais de 2014, o que implicaria prolongar o mandato das atuais autoridades, algo que Santos rejeitou.


A delegação do governo colombiano, presidida por Humberto de la Calle, ainda não emitiu comentários sobre a decisão de pausar as negociações.

"A delegação do governo permanece em Cuba", limitou-se a comentar uma fonte da equipe governamental, acrescentando que seus membros aproveitarão o recesso para fazer análises internas.

O atual ciclo de conversações terminaria na próxima quinta-feira (29).

Santos enviou na quinta-feira (22) para o Congresso o projeto para que um futuro acordo de paz com as Farc seja referendado pelos colombianos, aproveitando as eleições de 2014.

"O processo de paz avança, as conversações em Havana avançam e temos a responsabilidade, a obrigação, de prever qualquer instância que seja necessária se os acordos se formalizarem, para que o povo colombiano seja o dono da última palavra", assinalou o presidente.

Menos de uma hora depois do anúncio de Santos, o presidente do Congresso, Juan Fernando Cristo, apresentou o projeto ao legislativo.

A lei vigente sobre os mecanismos de participação cidadã impede que um referendo se realize no mesmo dia das eleições nacionais, apesar de a consulta sobre um futuro acordo com as Farc poder ser convocada em outra data do mesmo ano de 2014.

As Farc também condenaram nesta sexta, em outro comunicado, o "tratamento militarista" que o governo Santos dá aos protestos dos camponeses, iniciados na segunda-feira.

O governo de Santos realiza desde o final de 2012 um processo de paz com as Farc, com uma mesa de conversações em Havana, e até agora discutiram dois de cinco pontos: o desenvolvimento rural e a participação política da guerrilha.

Restam ser abordados os pontos sobre drogas ilícitas, abandono das armas e indenização das vítimas.

Na terça-feira, as Farc fizeram pela primeira vez um 'mea culpa' e admitiram sua cota de responsabilidade pelas vítimas da violência na Colômbia, quase um mês depois de Santos, também pela primeira vez, reconhecer a responsabilidade do Estado em "graves violações" dos direitos humanos no conflito, que já dura meio século.

As Farc, fundada em 1964 e com 8.000 combatentes atualmente, são a guerrilha mais antiga da América Latina.

O conflito com as Farc deixou 600 mil mortos e mais de 3 milhões de deslocados.

Esta é a quinta tentativa de se conseguir um acordo de paz, depois de três experiências fracassadas nos anos 1980, 1990 e 2000.

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