Favoritas à Presidência do Chile foram amigas de infância e viveram ditadura em lados opostos
Esta será a primeira eleição presidencial em que o voto não será obrigatório
Internacional|Do R7

Os chilenos vão às urnas neste domingo (17) para escolher seu próximo presidente, além de senadores, deputados e conselheiros regionais, nas primeiras eleições do país em que o voto não é obrigatório.
Na disputa pela Presidência aparecem duas amigas de infância: Michelle Bachelet e Evelyn Matthei.
A primeira governou o país entre 2006 e 2010 e é candidata pela coalizão formadas pelos Partido Socialista, Partido Comunista e Partido pela Democracia.
Sua principal proposta consiste numa reforma tributária para arrecadar mais de 8 bilhões de dólares (R$ 18,5 bilhões), ou 3% do PIB. Esse montante seria destinado a uma profunda reforma do sistema educacional, com foco na gratuidade e na melhoria da qualidade do ensino. Bachelet quer ficar na história como a presidente que corrigiu as desigualdades e revolucionou a educação pública do Chile.
Já Evelyn Matthei é ex-ministra do atual governo e já deixou claro que, se for eleita, irá dar continuidade à atual gestão do conservador Sebastián Piñera. Entre seus planos estão um maior crescimento da economia e a criação de 600 mil vagas de trabalho.
Dois lados da ditadura
Mas a história das candidatas já se cruzou muito antes das eleições deste domingo.
Ambas são filhas de dois ex-generais da Força Aérea do Chile, que foram grandes amigos antes do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 — que pôs fim ao governo de Salvador Allende e separou os caminhos de Michelle e Evelyn.
Enquanto Bachelet sofreu com a prisão e a morte de seu pai, Alberto Bachelet, e teve que partir para o exílio, o pai de Evelyn, Fernando Matthei, fez parte da junta militar da ditadura de Augusto Pinochet.
Casada e mãe de três filhos, Matthei iniciou sua militância política no partido Renovação Nacional, onde integrava um grupo conhecido como Patrulha Jovem, do qual também fazia parte o atual presidente Sebastián Piñera.
Ambos eram jovens promessas de renovação da direita chilena pós-ditadura, mas tudo foi comprometido por um escândalo de escutas telefônicas em 1992, que envolveu diretamente Matthei e Piñera, no momento em que os dois tentavam ser candidatos presidenciais.
Após o escândalo, as aspirações de ambos ficaram sepultadas. O episódio a distanciou de Piñera por mais de 20 anos, até que, depois de chegar à Presidência, em 2010, ele decidiu incluí-la em seu gabinete, obrigando-a a deixar seu posto no Senado.
Como ministra do Trabalho, Matthei ganhou destaque por sua defesa dos trabalhadores, por sua personalidade forte e pelos ásperos confrontos com parlamentares.
Já Bachelet, que representa uma aliança integrada por comunistas a democratas cristãos, realizou uma campanha estimulada pelo descontentamento com as políticas sociais do atual governo conservador. A ex-presidente tem apoio suficiente para ganhar o pleito já no primeiro turno, de acordo com algumas pesquisas de intenção de voto.
Na última pesquisa do Centro de Estudos Públicos (CEP), o mais respeitado do país, Bachelet obteve 47% das intenções de voto, enquanto Matthei apareceu com 14%. A eleição, a primeira em que o voto não será obrigatório, começará pouco antes das 8h (9h em Brasília) com a abertura dos centros de votação, que funcionarão até as 18h (19h em Brasília).
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