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França impõe toques de recolher para conter depredações após protestos violentos

Desde o início dos protestos, no mês passado, já foram realizadas 110 marchas

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, impôs toques de recolher em várias regiões para conter distúrbios e saques após protestos violentos contra o alto custo de vida e a falta de recursos na educação.
  • Durante os protestos, mais de 3.000 estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados, e houve incêndios em cidades como Paris, Lyon e Marselha.
  • O presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas na gestão policial e pediu novos modos operacionais para acabar com os distúrbios, descartando, por ora, decretar estado de emergência.
  • Macron destacou a importância de não confundir os responsáveis pelos distúrbios com os manifestantes pacíficos que protestaram contra o aumento do custo de vida.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Consequências de confrontos em protestos em Paris
Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas e 997 policiais ficaram feridos Benoit Tessier/Reuters - 18.10.2026

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, impôs toques de recolher em diversas regiões metropolitanas do país a partir da noite desta segunda-feira (19) para conter novos distúrbios e saques, depois de um fim de semana marcado pela violência entre manifestantes que protestam contra a falta de recursos na educação e o alto custo de vida.

Entre a noite de domingo (18) e a madrugada desta segunda-feira, grupos de manifestantes incendiaram lixeiras, bicicletas e outros objetos nas ruas, além de saquear estabelecimentos comerciais em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades. O episódio ocorreu após episódios de violência intensa durante protestos realizados no sábado (17).

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Desde o início dos protestos, no mês passado, já foram realizadas 110 marchas, que reuniram entre 550 mil e 800 mil manifestantes pela França.

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Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas e 997 policiais ficaram feridos. Ao menos dois adolescentes tiveram ferimentos graves, perdendo uma das mãos.

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Nesta segunda-feira, as autoridades estimaram que, ao menos, 3.000 estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados em diversas cidades durante a onda de violência do fim de semana.

Houve diversos relatos de saques a lojas e depredações a prédios públicos. Em Limoges, por exemplo, a prefeitura local foi incendiada.

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“Pedi aos prefeitos [autoridades administrativas regionais] que decretassem vários toques de recolher esta noite - toques de recolher parciais”, anunciou o chefe de governo de centro-direita após uma reunião de crise, sem especificar em quais locais a medida será aplicada.

A lista de cidades afetadas pela medida deve ser divulgada à tarde, após os prefeitos — representantes do governo nos diferentes departamentos franceses — conversarem com os prefeitos das regiões metropolitanas, detalhou ele.

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Algumas medidas já foram anunciadas. Em Marselha, manifestações foram proibidas entre as 12h e as 20h desta segunda-feira; já a cidade de Denain, próxima à fronteira com a Bélgica, decretou um toque de recolher noturno até domingo.

Violência fora do controle

O governo está sob pressão para conter os distúrbios e saques que, no sábado, ofuscaram os protestos multitudinários contra o aumento do custo de vida — episódios que voltaram a ocorrer na noite de domingo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu nesta segunda-feira “falhas” na gestão policial dos distúrbios e solicitou “novos modos operacionais” para “dar fim aos fenômenos de barricadas e saques”.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, indicou que esses toques de recolher não afetarão a partida de futebol da Liga dos Campeões prevista para terça-feira (20), entre PSG e Barcelona, na capital francesa.

Lecornu descartou, por ora, decretar estado de emergência — medida solicitada pelo líder do partido conservador “Os Republicanos”, Bruno Retailleau —, por considerar os toques de recolher “mais adequados”.

“Como puderam chegar a esse ponto? Nada explica, nada justifica”, disse um Macron sob pressão, que atribuiu os problemas a grupos de “extrema-esquerda” e delinquentes que se juntaram. Afirmou que as autoridades devem responder de maneira firme e com “toda transparência”.

O presidente da França ainda afirmou que “Aqueles que destruíram devem pagar, aqueles que tentaram derrubar a República irão responder por isso.”

Macron pediu, no entanto, que os responsáveis pelos distúrbios não sejam confundidos com as centenas de milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente no sábado contra o aumento do custo de vida.

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