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França perde 4 de seus melhores e mais audazes cartunistas

Internacional|Do R7

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María Luisa Gaspar. Paris, 7 jan (EFE).- A França perdeu nesta quarta-feira quatro personalidades insubstituíveis do jornalismo do país, os chargistas Charb, Cabu, Tignous e Wolinski, assassinados junto com outras oito pessoas em um atentado à sede da revista "Charlie Hebdo", em Paris. O diretor da publicação satírica, Stéphane Charbonnier, o "Charb", era plenamente ciente do risco que corria, mas não tinha a intenção de baixar a guarda, e há dois anos disse preferir "morrer de pé a viver de joelhos", em uma entrevista ao jornal "Le Monde". Nascido em 1971, em Conflans-Sainte-Honorine, no noroeste de Paris, ele vivia sob proteção policial desde 2011, quando a sede da revista foi incendiada após a publicação de várias charges de Maomé. Antes de assumir a direção da "Charlie Hebdo", que recentemente se instalou no distrito XI, perto das praças da Bastilha e da República, Charb tinha colaborado com "L'Echo des savanes", "Télérama", "Fluide glacial" e "L'Humanité", órgão do Partido Comunista francês. Jean Cabut, "Cabu", cartunista renomado há décadas e colaborador da "Charlie Hebdo" desde a fundação da revista, em 1970, era o autor de uma das três charges que em 2006 mexeram negativamente com a sensibilidade dos radicais islâmicos, por isso a publicação teve que ser protegida contra eventuais atentados. Naquela obra, "Cabu" assinava a imagem da capa, na qual uma figura em representação de Maomé dizia: "É duro ser amado por tolos", em coerência com a linha editorial da revista, que nos últimos anos sofreu vários atentados, mas sem vítimas. Nascido em Châlons-sur-Marne, "Cabu" começou a publicar suas primeiras ilustrações aos 16 anos, depois passou dois anos na Guerra da Argélia. No retorno à França, em 1960, trabalhou em "Hara-Kiri" e em "Pilote". Colaborou depois com muitos outros veículos de comunicação franceses, entre eles o também satírico "Le Canard enchaîné", do qual foi um dos pilares desde o início dos anos 80. O grande chargista, que na próxima semana completaria 77 anos e era pai do cantor francês Manu Solo, que morreu aos 46 anos em 2010, criou ao longo da carreira personagens consagrados como o "Grand Duduche", um herói sonhador. Precursor da história em quadrinhos-reportagem e amante de jazz, rock e folk, "Cabu" também deu vida nos anos 60 ao famoso, malvado e estúpido "Mon Beauf", anti-herói que levou consigo para a "Charlie Hebdo" e a "Charlie Mensuel". Georges Wolinski, outro componente histórico da redação assassinado nesta quarta-feira, nasceu há 81 anos na Tunísia, era simpatizante do Partido Comunista, sem nunca ter militado, e cartunista habitual do "L'Humanité". Também foi colaborador de "Hara-Kiri" em suas versões mensal e semanal. De origem franco-italiana por parte de mãe e judaica-polonesa por parte de pai, foi redator-chefe do "Charlie Mensuel" e trabalhou para outros veículos como "Action", "Paris-Presse", "Le Nouvel Observateur" e "Paris Match". Nascido em Paris, em 1957, retratista social e comprometido com seu tempo da mesma forma que seus companheiros assassinados, Bernard Verlhac, o "Tignous", colaborava em outros veículos como "Marianne", "L'Echo des Savanes" e "Fluide glacial", assim como em diversas emissoras de televisão. Anticapitalista assumido, em 2011 publicou seu último álbum, "5 ans sous Sarkozy", e foi também o autor, entre outras obras, de "Pandas dans la brume" (2010), "On s'énerve pour un rien" (1991), "Tas de riches" (1999) e "Le fric, c'est capital" (2010). A presidência francesa ainda não confirmou oficialmente sua morte, mas a imprensa local o inclui na lista de vítimas do atentado, assim como a emissora pública "France Info", que obteve a confirmação do advogado da "Charlie Hebdo", Richard Malka. Segundo os últimos dados divulgados, além de 12 mortos, entre eles dois policiais e o economista e jornalista Bernard Maris, o atentado deixou 20 feridos, quatro deles em estado grave. EFE lg/vnm/id

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