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Fundador do WikiLeaks completa um ano refugiado na embaixada do Equador

Julian Assange se tornou inimigo de Washington por ter difundido centenas de milhares de documentos secretos diplomáticos e militares

Internacional|Do R7

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Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, está refugiado há um ano na modesta embaixada do Equador em Londres
Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, está refugiado há um ano na modesta embaixada do Equador em Londres

"Vencemos a guerra", diz, orgulhoso, Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, refugiado há um ano na modesta embaixada do Equador em Londres, sem esperança de sair em breve de sua 'prisão' diplomática.

"Representávamos uma pequena web radical, decidida a publicar a verdade sobre a guerra, sobre os serviços de inteligência e a corrupção em larga escala, atacando de frente o Pentágono, o departamento de Estado... Nossas chances de vencer? A priori, eram nulas. Mas vencemos", insistiu em entrevista o australiano de 41 anos, que vê a si próprio como um Davi diante do poderoso Golias americano.

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Inimigo de Washington por ter difundido centenas de milhares de documentos secretos diplomáticos e militares, Assange fala com um fio de voz sobre sua detenção em Londres, em 7 de dezembro de 2010.

"Passei 10 dias em uma cela de isolamento e 590 dias em prisão domiciliar", diz. O tempo necessário para travar e perder uma batalha contra sua extradição à Suécia para responder a supostas acusações de agressão sexual, que nega.

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Após a maratona judicial, começou o imbróglio diplomático.

Em 19 de junho de 2013 completa-se exatamente 365 dias desde que o ex-hacker transformado em ciberativista da informação entrou na sede diplomática de tijolos vermelhos, situada a alguns passos da loja de departamentos de luxo Harrods para pedir asilo político.

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Um 'bobby' (policial) com ombros de lutador monta guarda no vestíbulo, junto à porta blindada que dá acesso ao andar térreo da embaixada. Outros policiais patrulham, dia e noite, sob o balcão onde o refugiado fez sua última aparição pública, antes do Natal.

Julian Assange está avisado. Se colocar um pé do lado de fora, será detido e extraditado para a Suécia.

O que ele mais teme é o que pode vir depois: uma extradição aos Estados Unidos e julgamento por traição. Porque, segundo ele, os Estados Unidos sob a presidência de Barack Obama ("um lobo em pele de cordeiro", segundo ele) "querem se vingar".

O militante fala da continuação de seu combate, sentado em uma poltrona vermelha e dourada. Pálido, com a barba por fazer, vestia paletó e gravada para a ocasião, mas estava de meias.

Para que usar sapatos quando se vive recluso em alguns metros quadrados com parquê no assoalho? Assange sorriu, respondendo "aqui estou em casa" e depois explicou ser um costume adquirido nas praias australianas.

Atrás dele, a biblioteca contém volumes variados, entre elas uma antologia do poeta uruguaio Emilio Oribe e um tratado de geografia e geologia do Equador. Os três papagaios do colorido quadro pendurado na parede não são suficientes para alegrar a acanhada sala onde recebe, perto do cômodo mal ventilado, onde vive em uma espécie de "cápsula espacial", equipada com uma lâmpada solar e uma esteira ergométrica.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, um simples soldado, Bradley Manning, ex-analista de inteligência no Iraque, de 25 anos, é julgado por estar na origem do "vazamento do século" do WikiLeaks.

"O que está em jogo é o futuro da liberdade de imprensa nos Estados Unidos e em todo o mundo", assegurou Assange. O veredicto poderá mudar seu próprio futuro. Para ele, este "julgamento espetáculo" também é o seu, à revelia, por cumplicidade.

Assange comemora que outros "heróis" tenham entrado em cena. Como Edward Snowden, ex-agente da CIA que revelou "até que ponto os Estados Unidos se transformaram em um Estado de vigilância maciça insidioso".

O refugiado também diz sentir-se reconfortado com o fato de que o WikiLeaks é "mais forte agora do que há dois anos", porque continua com suas revelações e sobreviveu a um embargo bancário. E se beneficiaria de um apoio renovado nos Estados Unidos, no Reino Unido e em "todo o continente latino-americano".

Muito articulado sobre sua luta, Assange é menos eloquente quando se trata de falar sobre seu estado de ânimo e seu isolamento.

Cercado por um núcleo de apoiadores incondicionais, entre eles um guatemalteco que usa uma camiseta com as efígies de Martin Luther King, Mandela, Gandhi, Einstein e Assange.

Personalidades de todo tipo já passaram pela embaixada durante sua reclusão: a estilista Vivienne Westwood, a cantora Lady Gaga, o cineasta Oliver Stone e o juiz espanhol Baltasar Garzón.

Mas Julian Assange criou inimizade com muitos partidários que o acusam de megalomania.

Neste domingo ele aguardava a visita do chanceler equatoriano, Ricardo Patiño. Salta à vista que não espera um avanço diplomático, um salvo-conduto milagroso.

O desenlace vai de encontro a "um problema de prestígio para os Estados Unidos, Reino Unido e Suécia", afirma. "Onde estarei em um ano? Na Austrália, espero. Ou no Equador. Ou viajando pelo mundo", afirma.

— As circunstâncias são difíceis, no aspecto físico. Mas trabalho todos os dias. Você pergunta como supero as dificuldades inerentes à reclusão? Minha mente não está reclusa.

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