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General uruguaio é condenado a 28 anos de prisão por crimes da ditadura

Internacional|Do R7

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Montevidéu, 8 mai (EFE).- A Justiça do Uruguai condenou nesta quarta-feira a 28 anos de prisão o general Miguel Dalmao, o primeiro geral da ativa no Uruguai julgado por crimes cometidos durante a ditadura (1973-1985), pelo assassinato, em 1974, da militante comunista Nibia Sabalsagaray, confirmaram fontes oficiais. O general, que está preso desde novembro de 2010, quando era chefe da Divisão IV do Exército, foi condenado pelo crime de "homicídio muito especialmente agravado", cometido quando era alferes e cumpria funções de luta antisubversiva na unidade do exército onde Sabalsagaray apareceu morta. Segundo a versão oficial da época, a jovem Sabalsagaray, militante comunista, se enforcou no calabouço onde estava detida poucas horas depois de ter sido detida, mas o resultado da necrópsia anexado ao expediente judicial diz que ela foi vítima de torturas. Fontes da Suprema Corte de Justiça confirmaram à Efe que Dalmao foi considerado responsável por este homicídio, já que, quando aconteceram os fatos, era o segundo responsável da unidade onde ela foi detida. O advogado defensor do general, Miguel Langón, declarou em entrevista à imprensa local que o homicídio não está provado e que em nenhum caso pode ser descartado o suicídio da mulher. "Tinha esperança de que houvesse uma sentença de absolvição porque é claro que não se provou o homicídio", disse Langón, que já apelou da sentença. A investigação da morte de Sabalsagaray foi possível depois que a Suprema Corte de Justiça do Uruguai declarou, em outubro de 2009, inconstitucional a Lei de Caducidade, que impedia julgar os crimes cometidos por militares durante a ditadura - para este caso concreto, uma decisão que foi impugnada sem sucesso pelos acusados. A detenção e julgamento de Dalmao - que está internado no Hospital Militar devido a um grave problema cardíaco - gerou uma enorme polêmica no país desde que foi detido junto com o ex-coronel José Chialanaza, acusado do mesmo crime, devido ao fato de se tratar de um militar da ativa e porque o próprio presidente José Mujica foi visitá-lo na prisão pouco tempo depois de sua detenção. Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro que passou vários anos detido em quartéis militares em duras condições e que foi submetido a tortura, foi ver Dalmao depois de este sofrer um infarto. Essa visita, na qual alguns viram uma tentativa do presidente de se aproximar dos militares, foi explicada sucintamente pelo governante alegando que queria saber de seu estado de saúde e das condições nas quais estava recluso. "O que acontece é que Dalmao é general em exercício e, desse ponto de vista, queria ter a certeza de qual era a situação real e como estava na questão do encarceramento. E isso por que? Porque eu estive preso", disse então Mujica. Dalmao foi o primeiro promovido a general após a chegada do partido de esquerda Frente Ampla ao poder no Uruguai, em 2005. EFE amr/id

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