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Golpe no Egito é letal para democracia árabe, diz Nobel da Paz iemenita

Internacional|Do R7

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Por Tom Finn

CAIRO, 13 Ago (Reuters) - Tawakul Karman, que ganhou um Nobel da Paz por seu ativismo pró-democracia no Iêmen, viu a derrubada do presidente islâmico do Egito, Mohamed Mursi, como um golpe fatal para o movimento democrático árabe.

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Mursi, primeiro presidente eleito livremente na história egípcia, foi derrubado por militares em 3 de julho, num fato que "zerou o relógio" dos avanços obtidos desde que uma rebelião popular derrubou o regime de Hosni Mubarak, em janeiro de 2011, disse a ativista iemenita à Reuters, numa entrevista por telefone na noite de segunda-feira.

A derrubada de Mubarak foi parte da chamada Primavera Árabe, série de rebeliões populares que derrubou diversos governos autocráticos no mundo árabe, inclusive no Iêmen.

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"A primeira democracia emergente na história do Egito e a primeira na região desde a Primavera Árabe está rapidamente sendo desmantelada", disse a ativista de 34 anos, mãe de três filhos.

Karman foi a primeira mulher árabe e a segunda muçulmana a receber o Nobel da Paz, em 2011, dividindo-o com duas liberianas. Ela foi barrada no Egito em 4 de agosto, após anunciar pelas redes sociais que pretendia participar de uma vigília em favor de Mursi organizada pelo grupo político dele, a Irmandade Muçulmana.

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As autoridades egípcias se limitaram a dizer que Karman estava em uma lista de pessoas proibidas de entrarem no país.

"Negar-me a entrada significa apenas uma coisa. O novo governo egípcio está voltando às maneiras autocráticas do passado. Ele não está disposto a tolerar diferenças de opinião", afirmou ela.

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Karman descreveu a queda de Mursi como parte de uma contrarrevolução mais ampla que está tomando conta da região, e disse que remanescentes dos regimes destituídos em 2011 e 2012 estão pouco a pouco voltando ao poder.

"A Primavera Árabe tem a ver com a construção da democracia. Um golpe militar é a antítese disso. Ele mina tudo", afirmou ela. "A destruição da revolução do Egito significa a morte da Primavera Árabe."

Os militares egípcios alegam que a derrubada de Mursi atendeu ao "anseio popular", já que milhões de pessoas haviam saído às ruas exigindo a renúncia do líder islâmico. Um governo provisório foi empossado com a missão de promover eleições num prazo de nove meses.

Karman, que é integrante da Irmandade Muçulmana iemenita, se tornou uma figura simbolicamente importante na revolução iemenita da Primavera Árabe. Ela foi presa num dos primeiros protestos pró-democracia no país, em janeiro de 2011, num fato que teve grande repercussão e contribuiu para o crescimento da revolta popular.

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