Governo brasileiro diz que eleições na Venezuela não têm legitimidade

Itamaraty afirma lamentar "que o governo venezuelano não tenha atendido aos repetidos chamados da comunidade internacional por eleições livres"

Maduro foi reeleito com 67,7% dos votos

Maduro foi reeleito com 67,7% dos votos

REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O governo brasileiro divulgou nesta segunda-feira (21), por meio do Itamaraty, uma nota em que diz não reconhecer a legitimidade das eleições ocorridas na Venezuela no último domingo (20).

Segundo o comunicado, o Ministério das Relações Exteriores "lamenta profundamente que o governo venezuelano não tenha atendido aos repetidos chamados da comunidade internacional pela realização de eleições livres, justas, transparentes e democráticas". O governo do Brasil completa que as condições em que ocorreu a votação na Venezuela — com presos políticos e lideranças oposicionistas inabilitadas — não favorecem a credibilidade dos resultados.

O atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi reeleito com 67,7% dos votos, segundo o Conselho Nacional Eleitoral. O resultado foi questionado pela oposição, que pediu nova votação devido a denúncias de irregularidades.

Mais cedo, o Grupo de Lima — formado pelo Brasil e mais de uma dezena de outros países das Américas — já havia declarado não reconhecer o resultado das eleições venezuelanas. 

A nota do Itamaraty ainda diz que as eleições de domingo aprofundam a crise política na Venezuela, "pois reforçam o caráter autoritário do regime, dificultam a necessária reconciliação nacional e contribuem para agravar a situação econômica, social e humanitária que aflige o povo venezuelano, com impactos negativos e significativos para toda a região, em particular os países vizinhos".

O Ministério das Relações Exteriores completa que "o Brasil continuará atuando, inclusive na Organização dos Estados Americanos, em favor do restabelecimento da institucionalidade democrática, do estado de direito e do respeito aos direitos humanos na Venezuela".