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Governo Trump rebate Itamaraty e diz que temor de ação militar dos EUA no Brasil é ‘absurdo’

EUA dizem que fala de chanceler brasileiro sobre intervenção de servir de pretexto para ajudar crime organizado

Internacional|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Casa Branca criticou a fala do ministro Mauro Vieira sobre possível intervenção militar dos EUA no Brasil, chamando-a de "absurda".
  • Os EUA classificaram as facções PCC e CV como terroristas, o que preocupa o Brasil por possíveis implicações para cidadãos brasileiros.
  • O Itamaraty se opõe à classificação das facções como terroristas e busca diálogo com o governo dos EUA.
  • O Brasil teme um cenário intervencionista similar ao ocorrido na Venezuela, após ações dos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pessoas passam em local com nome de PCC em São Paulo
 29 de maio de 2026    REUTERS/Alexandre Meneghini
PCC passou a ser tratado pelos EUA como grupo terrorista Alexandre Meneghini/Reuters - 29.5.2026

O governo dos Estados Unidos classificou como um “absurdo” a fala do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que expressou preocupação com a possibilidade de intervenção militar americana em território brasileiro após a classificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em nota enviada ao R7, o Departamento de Estado do governo de Donald Trump defendeu que os EUA estão tomando “medidas decisivas” para o combate ao narcoterrorismo e que a fala do ministro brasileiro pode indicar conivência com o crime organizado.


Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas. Essas facções brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e nós defenderemos nossa população contra elas. Alegações vagas de intervenção costumam ser um pretexto para auxiliar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo.

(Departamento de Estado dos Estados Unidos)

Na segunda-feira (6), Mauro Vieira se manifestou sobre o assunto ao responder a um requerimento protocolado pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), que questionava o Itamaraty sobre o posicionamento diplomático adotado pelo Brasil.

Na ocasião, Vieira afirmou que a decisão americana contra PCC e CV cria “sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal”.


“A designação pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive contra aquelas sem vínculos diretos com os EUA ou cuja ligação com os grupos designados seja indireta ou meramente involuntária”, argumentou.

O ministro acrescentou que a medida “não trará benefícios concretos” para a ação conjunta entre os dois países contra o crime organizado, e que a classificação dos dois grupos como organizações criminosas transnacionais já permite aos EUA fazer uso de “mecanismos necessários de cooperação em temas como troca de informações, apreensão e devolução de ativos e combate à lavagem de dinheiro”.


Preocupação inicial

O Itamaraty se coloca contrário à classificação das facções brasileiras como terroristas internacionais desde que a possibilidade começou a ser levantada.

A decisão foi oficializada pela Casa Branca em 5 de junho deste ano. Desde então, a pasta buscou diálogo com o governo Trump a respeito da medida.


Em março, Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pouco após uma reunião de Trump com presidentes latino-americanos nos EUA, na qual o tema combate ao crime organizado esteve em pauta. Lula não foi convidado para o encontro, que foi batizado de Escudo das Américas.

O telefonema serviu para discutir a relação entre os dois países, enquanto a classificação das duas facções como terroristas estava ainda em debate.

A preocupação do Planalto, conforme apuração da RECORD, é que ocorra um cenário intervencionista parecido com o ocorrido na Venezuela, no início deste ano, em que uma ação dos EUA culminou na prisão do ditador Nicolás Maduro.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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