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Grécia enfrenta referendo após breve campanha marcada pela polarização

Manifestações fecharam a campanha no centro de Atenas 

Internacional|Do R7

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Alexis Tsipras pedia que cidadãos dissessem "não ao ultimato"
Alexis Tsipras pedia que cidadãos dissessem "não ao ultimato"

A Grécia se prepara para o referendo de amanhã, domingo (5), após uma breve campanha que foi marcada pela polarização e sob a pressão do controle de capitais.

Duas manifestações grandes de sinais opostos fecharam a campanha ontem no centro de Atenas, mas a sensação em ambas era de que, apesar de a pergunta se sobre aceitar ou não a proposta dos credores, o que está em jogo é o futuro da Europa.

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Enquanto na praça Syntagma, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, pedia aos cidadãos que dissessem "não" ao "ultimato" e ao "medo", lançando assim uma mensagem de "dignidade", pouco ruas depois, no antigo estádio olímpico de Atenas, o prefeito independente Yorgos Kaminis fazia campanha pelo "sim".

"Nos obrigam a votar sem nos dar tempo para pensar, para debater com calma, com uma pergunta que ninguém pode entender.

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Tsipras já não tem com quem discutir na Europa, ninguém acredita nele. Ninguém nos presenteou com a democracia, a construímos com muito esforço e a protegeremos", disse Kaminis em meio de aplausos de gregos com a bandeira da União Europeia.

O referendo dividiu a sociedade grega, que está confusa diante de uma pergunta longa e complexa sobre uma proposta que foi retirada da mesa de negociação após expirar o programa de resgate grego, na terça-feira (30).

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A falta de clareza foi, junto com fato de estar relacionada a questões fiscais, e convocado com só uma semana de antecedência, um dos argumentos esgrimidos no recurso de inconstitucionalidade que a Suprema Corte negou ontem por considerar que não pode se pronunciar sobre decisões governamentais desta natureza.

A campanha liderada pelo partido governamental Syriza dedicou seus esforços a comunicar que a vitória do "não" no referendo daria uma posição de força à Grécia nas negociações com os sócios.

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A do "sim", por outro lado, respaldada pelos principais atores da economia grega, os principais partidos da oposição e os demais líderes europeus, com uma atitude que foi denunciada pelos próprios cidadãos como uma "provocação", se apresentou como a única forma de garantir que a Grécia continue dentro da zona do euro.

Tsipras não deixou de reiterar que seu governo chegará a um acordo com os credores na próxima terça-feira (7), seja qual for o resultado e insistiu que a permanência da Grécia na zona do euro não está em questão.

O ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, chegou a afirmar que o Executivo está estudando medidas legais para conter a saída da moeda comunitária do país, se isto chegasse a ser pleiteado.

O Partido Comunista KKE se posicionou contra qualquer acordo entre a Grécia e os sócios europeus e chamou o voto nulo, com uma cédula do próprio partido em que rejeitam a proposta dos credores, mas também o terceiro resgate que Tsipras está disposto a assinar.

O "não", por sua vez, pôs de acordo grupos tão ideologicamente opostos como a esquerda extraparlamentar e o partido neonazista Amanhecer Dourado, que consideram necessário dar um golpe nos membros da União Europeia. Segundo as três últimas pesquisas publicadas ontem, o "sim" e o "não" estão praticamente empatados, com uma diferença de décimos — ambos rondam os 40% — e 10% dos gregos se declararam indecisos.

Devem votar neste domingo 10.837.118 gregos, e para que o resultado seja considerado válido, as normas exigem uma participação de pelo menos 40% do eleitorado.

Para muitos cidadãos que estão recenseados em seus locais de nascimento, mas vivem nas grandes cidades, isto significará ter de viajar no domingo, pois não é possível votar no lugar de residência.

Levando em conta que se trata do primeiro referendo no mundo, segundo a vice-ministra de Finanças Nadia Valavani, realizado com os bancos fechados e no meio de um controle de capitais, o desembolso para a viagem poderia representar uma dificuldade a mais.

Para isso, o governo tomou a decisão de oferecer preços especiais, tanto em trens como em transportes marítimos, e decretar a gratuidade em todos os trajetos em metrô, ônibus e bonde esta semana em Atenas. 

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