Grillo rejeita qualquer acordo com a esquerda; Itália supera emissão da dívida
Internacional|Do R7
O movimento anti-austeridade do comediante Beppe Grillo rejeitou nesta quarta-feira qualquer acordo com a esquerda de Pier Luigi Bersani, aumentando a incerteza na Itália que, contudo, se saiu bem de seu primeiro teste de confiança nos mercados, uma nova emissão da dívida, após as eleições legislativas.
"O M5S não votará a moção de confiança ao Partido Democrático (PD, esquerda), nem a outros", disse Beppe Grillo, humorista e líder do M5S, cujos representantes eleitos (um quarto dos parlamentares) estão sendo muito solicitados na falta de uma maioria clara no Senado.
Grillo repetiu que seu movimento de 109 deputados e 54 senadores "votará as leis que refletem seu programa, independente de quem as proponha".
Estas declarações foram feitas em um momento em que uma das hipóteses formuladas para tirar a Itália da paralisia política seria um governo de esquerda majoritário na Câmara e minoritário no Senado, que se beneficiaria de um apoio caso a caso dos representantes do M5S.
O líder do PD, Pier Luigi "Bersani nos encurrala politicamente. Há dias, importuna o M5S com propostas indecentes em vez de renunciar, como faria qualquer pessoa em seu lugar", escreveu Grillo em seu blog em resposta a um gesto de abertura realizado na véspera por Bersani.
Este último fez referência a um programa de mínimos que conteria propostas de lei próximas ao M5S como o corte dos gastos políticos (número de representantes, financiamento dos partidos) e medidas para os desempregados.
Bersani respondeu, através de um comunicado, ao ataque de Grillo. "O que Grillo tiver que me dizer, inclusive os insultos, quero escutar no Parlamento. É onde cada um assumirá suas próprias responsabilidades".
As declarações de Grillo, por sua virulência e imprecisão, aumentaram a incerteza.
Ao falar de voto de confiança, Grillo não disse se se trataria do primeiro voto de confiança no Parlamento, o que permite o começo das funções do governo, ou se se refere às moções de confiança que um governo pode dar sobre as leis para acelerar sua adoção.
Antes de Grillo publicar essa mensagem, um dos representantes de seu partido em Lombardia tinha afirmado que o movimento pensava em apoiar um primeiro voto de confiança e depois tomaria as decisões caso por caso.
"A conduta é votar a moção de confiança. Depois disso veremos as leis uma após a outra, esperando que o novo governo não faça como o precedente que pedia confiança em todos os seus projetos", declarou Ferdinando Alberti.
Os votos do M5S no Senado são imprescindíveis para que um governo de esquerda supere a moção de confiança. A única alternativa seria se apoiar na direita de Silvio Berlusconi. Uma solução altamente improvável que Bersani já descartou na terça-feira.
Inúmeros membros do M5S criticaram a decisão de Grillo online. "Votei em você, não para que destrua tudo", "não voto a favor de atos irresponsáveis", escreveram.
Em sua mensagem transmitida em um vídeo, Berlusconi pediu "responsabilidade" para que "seja enviada uma mensagem de estabilidade antes de 15 de março", data limite para a reunião das duas câmaras do Parlamento, ou então o país se "arrisca a pagar um preço muito alto".
Este impasse político não impediu que a Itália superasse seu primeiro teste de confiança nos mercados com uma emissão da dívida.
O Tesouro italiano captou 6,5 bilhões de euros de dívida pública a médio e longo prazo, o máximo previsto, oferecendo as taxas de juros mais altas desde outubro. Contudo, elas foram bem menores do que temiam os analistas, e a demanda foi grande, o que demonstra que os investidores confiam de momento na dívida italiana.
A emissão se apresentava como uma operação de risco, diante da tormenta política causada pelos resultados das legislativas.
O país, a terceira maior economia da zona do euro, não tem uma maioria clara em um contexto de recessão e alto endividamento e a Comissão Europeia pede que as reformas econômicas empreendidas pelo gabinete anterior do tecnocrata Mario Monti continuem.
A Bolsa de Milão fechou com alta de 1,77%, a 15.827 pontos, do índice FTSE Mib, apesar de não bastar para recuperar 4,89% que perdeu na véspera.
Segundo a imprensa italiana, nesta quarta-feira começaram os contatos oficiais entre os partidos e na próxima terça-feira está prevista uma reunião da direção do PD.
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