HRW diz que 150 mil colombianos são deslocados por ano pela violência
Internacional|Do R7
São Paulo, 21 jan (EFE).- A organização não-governamental internacional Human Rights Watch (HRW) afirmou nesta terça-feira em São Paulo, durante a apresentação de seu relatório anual, que mais de 150 mil colombianos deixam seus lares a cada ano por causa da violência, o que faz do país a segunda maior população do mundo de deslocados internos. Em 2013, segundo o relatório, o conflito armado deixou um cenário no qual "se seguiram cometendo graves abusos por parte de grupos armados irregulares como as guerrilhas e os grupos sucessores de paramilitares". Segundo a HRW, mais de cinco milhões de colombianos foram deslocados internamente pelo conflito entre grupos paramilitares, guerrilhas, narcotraficantes, delinquência comum e organismos de segurança. A organização reconhece o "repúdio" do presidente, Juan Manuel Santos, aos ataques e ameaças contra defensores dos direitos humanos, mas advertiu que "são muito poucos os casos em que os responsáveis destes atos são levados perante a Justiça". O diretor para América da HRW, Daniel Wilkinson, declarou à Agência Efe que a ONG "apoia todos os esforços para conseguir a paz", mas que também estão "preocupados e decepcionados por esta atitude do governo colombiano. "(A paz) seria algo histórico para o país após tantos anos de guerra e violência, mas estivemos muito decepcionados e preocupados pelo esforço do governo de Santos em promover reformas para frustrar a busca de Justiça e limitar os processos penais", denunciou Wilkinson. A HRW alegou em seu relatório que o governo de Santos "adotou diversas medidas que frustram a possibilidade de prestação de contas por violações de direitos humanos", negando em cortes internacionais as "atrocidades" atribuídas a organismos militares. Nesse sentido, Wilkinson lamentou que dentro dessas reformas, "se contemplasse que só os mais responsáveis por atrocidades poderiam ser processados e ainda poderiam ver reduzidas suas penas até o ponto de quase não precisar cumpri-las". "Felizmente a Corte Constitucional da Colômbia tirou esta parte e, graças a esta decisão, se uma das pessoas está condenada vai ter de cumprir pelo menos uma parte" da sentença, expressou. Sobre os grupos paramilitares, a ONG denunciou que, "apesar dos notáveis avanços na captura de seus líderes, as autoridades colombianas não diminuíram significativamente o poder de seus movimentos sucessores". A entidade destacou que desde 2006, quando se suscitou o escândalo da "parapolítica", mais de 55 membros e ex-membros do Congresso "foram condenados por suas ligações com paramilitares". Nesse sentido, lembrou que "o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) e seus aliados enfrentaram cada vez mais denúncias de supostos vínculos com paramilitares" e em 2013, o Ministério Público reabriu uma investigação preliminar sobre supostos vínculos entre o ex-mandatário e esses grupos irregulares. Para o diretor da HRW na América manter os crimes perpetrados por militares na jurisdição militar "é o que diferença a Colômbia do México, movimentar os casos de direitos humanos aos tribunais civis", pois, quando são julgados dentro da instituição, "são protegidos". O relatório ressaltou, por outro lado, que o governo colombiano e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm negociações de paz em Cuba desde 2012, mas condenou o "recrutamento" de menores e a utilização de minas antipessoais por parte dos grupos guerrilheiros . Quanto aos organismos de segurança, o relatório ressaltou que "em muitos casos - que se conhecem como 'falsos positivos' - membros do exército assassinaram civis e depois informaram que se tratava de combatentes mortos em confrontos". Esse procedimento, acrescentou, foi "aparentemente" uma "resposta às pressões que receberam de seus superiores para demonstrar resultados". EFE msh-wgm/rsd (foto)










