Iniciativa de paz da França para o Oriente Médio bate de frente com Netanyahu
Internacional|Do R7
Daniela Brik e Nuha Musle. Jerusalém/Ramala, 21 jun (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, se reuniu neste domingo com dirigentes israelenses e palestinos para expor suas ideias para reativar o processo de paz e bateu de frente com a intransigência do chefe do governo israelense, Benjamin Netanyahu, de aceitar um novo mediador internacional. "A paz só virá das negociações diretas entre as partes, sem condições prévias. Não virá de resoluções da ONU que pretendam impor coisas de fora", sustentou taxativamente o primeiro-ministro israelense ao começo da reunião que teve em Jerusalém com Fabius. A visita de Fabius à região suscitou grande expectativa porque se tratava da primeira tentativa por parte de uma das denominadas potências internacionais de reativar o bloqueado processo de paz após as eleições realizadas em Israel no último mês de março. O chefe da diplomacia francesa conclui com um resultado incerto a visita de dois dias à região na qual foi expor uma nova fórmula para um processo limitado de negociação, presumivelmente de 18 meses, que deveria culminar com o estabelecimento de um Estado palestino. A França tenta buscar o respaldo do Conselho de Segurança da ONU para sua iniciativa em forma de resolução. Mas antes sequer que tivesse sido informado que os líderes de ambas partes em conflito a analisavam seriamente, o premiê israelense já lhe jogava um balde água fria. Netanyahu já havia advertido sobre isso de manhã quando, no Conselho de Ministros, ressaltou que não aceitaria "ditames internacionais" e lançou mão das necessidades de segurança de Israel para descartar plenamente qualquer ingerência externa. Sem mencionar explicitamente a proposta francesa, o chefe do Executivo israelense assegurou que "estão tentando nos pressionar para que aceitemos fronteiras indefensíveis enquanto ignoramos completamente o que estará do outro lado da fronteira". Pela tarde Netanyahu voltou a repetir que "uma paz que não esteja ancorada fixamente sobre regras de segurança no terreno, na qual Israel possa defender-se, simplesmente não sobreviverá e não a aceitaremos". Além disso, acusou mais uma vez a Autoridade Nacional Palestina (ANP) de "não querer condenar atos de violência" como o ocorrido de manhã em Jerusalém Oriental quando um palestino apunhalou um agente da guarda de fronteiras israelense que ficou ferido, da mesma forma que o suposto agressor. Fabius respondeu de Ramala, onde garantiu que "essa palavra, 'ditame', não faz parte nem do vocabulário francês nem das iniciativas francesas". O ministro francês alertou que o conflito palestino-israelense poderia "explodir" se não se avançar rumo à paz e que a fórmula analisada por seu governo aborda a importância da segurança para Israel, assim como o direito dos palestinos a ter um Estado independente. Em Ramala também pediu que não se "prejulguem suas propostas" e que "o objetivo desta visita é apresentar uma série de ideias e por isso não devemos nos apressar em tirar conclusões". "Vim oferecer ideias e escutar as respostas das partes implicadas para ajudar a retomar as negociações até que cheguemos à paz. As partes são as que têm que negociar e por isso trabalhamos para que retomem o diálogo", disse em entrevista coletiva junto com seu colega palestino, Riad Maliki. Fabius esclareceu, no entanto, que conseguir a resolução na ONU "não é um objetivo em si, mas será importante se for adotada e implementada". Na cidade cisjordaniana o ministro francês se reuniu com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que lhe expressou sua disposição a fazer tudo o que esteja em suas mãos para que suas gestões sejam frutíferas. Fabius também encontrou o presidente israelense, Reuven Rivlin, em Jerusalém a quem garantiu que a França é um país amigo de Israel e dos palestinos, e que dessa posição deseja colaborar para que ambas partes retomem o processo de paz. Embora tenha dito compreender as objeções de Israel a que uma terceira parte se envolva no processo e reconhecido que a única maneira de resolver o conflito é através do diálogo direto, Fabius assinalou que como amigo achava que era necessário urgir ambos atores do conflito a caminhar nessa direção: "Por isso estou aqui", ressaltou. O ministro francês analisou a questão com o governo egípcio e o rei jordaniano Abdullah II assim como com representantes da Liga Árabe e antecipou que em breve fará o mesmo com os ministros das Relações Exteriores da União Europeia e o secretário de Estado americano, John Kerry. EFE nm-sar-db/rsd (foto) (vídeo)












