Internacional Irã afirma que explosão na usina nuclear de Natanz foi sabotagem

Irã afirma que explosão na usina nuclear de Natanz foi sabotagem

Incêndio em instalação nuclear iraniana, no início do mês passado, não foi acidental, afirmou um porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica

  • Internacional | Do R7

Incêndio que danificou usina de Natanz foi sabotagem, segundo o Irã

Incêndio que danificou usina de Natanz foi sabotagem, segundo o Irã

Atomic Energy Organization of Iran/WANA (West Asia News Agency) via Reuters/Arquivo

A Agência de Energia Atômica do Irã (Aeai) reconheceu que o incêndio ocorrido no mês passado na instalação nuclear de Natanz foi devido a "sabotagem", após circular informações sobre um possível ataque cibernético.

"As investigações de segurança confirmam a natureza sabotadora desta ação", disse o porta-voz da Aeai, Behrouz Kamalvandi, durante entrevista na noite de domingo (23) para a emissora "Al-Alam", reproduzida hoje pela imprensa oficial.

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O porta-voz disse que "o certo é que ocorreu uma explosão em Natanz", mas não especificou a origem da suposta sabotagem ou suas características.

De fato, Kamalvandi limitou-se a dizer que os responsáveis pela segurança "darão a conhecer os detalhes da explosão e como esta ocorreu em seu devido tempo".

Explosão não afetou funcionamento

A explosão ocorreu em 2 de julho, dia em que a Aeai explicou que ocorreu em uma área em construção em Natanz e que não deixou vítimas, assim como não interrompeu as atividades em andamento na fábrica de enriquecimento de urânio e suas centrífugas.

No entanto, quatro dias depois, o próprio Kamalvandi reconheceu que Natanz sofreu "perdas financeiras significativas" devido à destruição de muitos equipamentos e que isso poderia "atrasar o desenvolvimento e a produção de centrífugas avançadas a médio prazo".

O complexo nuclear Shahid Ahmadi Roshan, em Natanz, cobre cerca de 100 mil metros quadrados e foi construído em grande parte a oito metros de profundidade, na cidade localizada no centro do Irã.

É um dos locais que está sendo controlado pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) no acordo firmado em 2015 entre o Irã e seis grandes potências, que limita o programa atômico iraniano em troca da suspensão das sanções internacionais.

Em resposta à retirada dos Estados Unidos do acordo e de suas sanções, o Irã não cumpriu a maioria de seus compromissos e implementou, por exemplo, centrífugas avançadas IR-6 em Natanz.

O incidente de Natanz não foi o único registrado entre junho e julho no Irã, quando também ocorreram explosões e incêndios em instalações vitais, como a base militar de Parchin, uma fábrica petroquímica e uma usina elétrica.

Tudo isso gerou especulações de que se tratava de ciberataques perpetrados por Israel. Embora este ponto não tenha sido oficialmente confirmado, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã garantiu no dia 17 que daria "uma resposta firme e decisiva" a qualquer ameaça cibernética.

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