Irã insiste perante a ONU em "novo enfoque" do conflito nuclear
Internacional|Do R7
Antonio Sánchez Solís. Viena, 28 out (EFE).- O Irã insistiu nesta segunda-feira em garantir que quer trazer "novos ares" ao conflito sobre seu programa nuclear, em uma reunião realizada em Viena com o organismo nuclear da ONU, que durará até amanhã. A reunião, a 12ª deste tipo em 22 meses, tem como objetivo estabelecer uma rota de inspeções que permitam que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descarte as dúvidas em relação ao uso da tecnologia para o desenvolvimento de armas por parte de Teerã. "Tenho muitas esperanças de que se conseguirá atingir um bom resultado", explicou o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Seyed Abade Araqchi, sobre a reunião entre a delegação de seu país e os inspetores da AIEA. Fontes deste organismo informaram que os contatos continuarão amanhã, sem confirmar se este prolongamento representa, ou não, avanços na negociação. Antes do início da reunião, Araqchi conversou em particular com o diretor da AIEA, Yukiya Amano, em um encontro que qualificou como "muito útil". O responsável iraniano, número dois da equipe de negociações, insistiu na mensagem de renovação que Teerã sustenta desde a chegada de Hassan Rohani ao poder em agosto. "Devemos olhar para o futuro para cooperar, para assegurar a natureza pacífica do programa nuclear do Irã", disse Araqchi à imprensa em Viena. O vice-ministro se referiu a um "novo enfoque" iraniano para avançar na solução de um conflito que dura mais de uma década, desde que foi revelado que Teerã havia realizado experimentos nucleares clandestinos. O próprio Amano reivindicou hoje passos e avanços concretos para resolver o que qualificou como "assuntos pendentes muito complicados". "Chegou o momento de dar um novo enfoque para resolver os assuntos entre o Irã e a AIEA", declarou o diplomata japonês. Há 22 meses, a AIEA e o Irã lançaram uma nova iniciativa de negociações que denominaram como um "procedimento estruturado", uma espécie de agenda para que os inspetores internacionais tenham acesso a instalações, documentos e cientistas relacionados com o programa atômico. Essas informações devem servir para desfazer a ideia de que o Irã esconde um programa militar nuclear, como temem Estados Unidos, seus aliados europeus e Israel, e fundamentar que os esforços no setor têm apenas objetivos pacíficos, como argumenta Teerã. Entre as principais dúvidas que coloca a AIEA estão as suspeitas de que na base militar de Parchin se realizaram experimentos relacionados com armas nucleares. Até agora, o Irã não só se negou a permitir o acesso dos inspetores a esta instalação, mas também realizou trabalhos de limpeza que a própria AIEA adverte que impedirão a averiguação das atividades realizadas no local caso a inspeção da base seja autorizada. As conversas de hoje em Viena acontecem após reuniões em Nova York e Genebra entre o Irã e o chamado grupo "5+1", formado pelos países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha. Essas reuniões, que incluíram contatos diretos entre o Irã e os Estados Unidos, resultaram em certos avanços, que devem continuar, tanto amanhã em Viena, como nos dias 7 e 8 de novembro, em Genebra. EFE as-jk/apc-rsd (foto) (vídeo)












