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Israel suspende negociações de paz após acordo entre grupos palestinos

Palestinos formarão governo de união entre Fatah e Hamas nas próximas semanas

Internacional|Do R7

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Israel decidiu nesta quinta-feira (24) suspender as negociações de paz com a Autoridade Palestina e sancioná-la após o acordo de reconciliação com o Hamas, mergulhando o processo de paz iniciado por Washington numa crise.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou ao canal americano NBC que o acordo entre a OLP (Organização de Libertação da Palestina), do presidente palestino Mahmud Abbas, e o movimento islamita do Hamas para formar um governo de união representa "um grande salto para trás" e que "mata a paz".


Este acordo, que prevê a formação de um governo de consenso nacional com o Hamas, considerado por Israel "um grupo terrorista", e a realização de eleições no final de 2014, foi anunciado em plena crise nas negociações de paz que não atingiram nenhum resultado tangível desde que foram retomadas, em julho de 2013.

Palestinos formarão governo de união nas próximas semanas


O anúncio da suspensão das negociações foi feito após uma reunião de cinco horas do gabinete de segurança reunindo Netanyahu e seus principais ministros.

"O gabinete decidiu de forma unânime que o governo israelense não negociará com um governo apoiado pelo Hamas, uma organização terrorista que pede a destruição de Israel", indicaram os serviços do primeiro-ministro.


"Além disso, Israel tomará uma série de medidas, respondendo, assim, às decisões unilaterais da AP" (Autoridade Palestina), acrescentaram, em referência a possíveis sanções.

"Acredito que o que aconteceu é um grande revés para a paz, porque esperávamos que o presidente da Autoridade Palestina, Abbas, aceitasse o Estado judeu, a ideia de dois Estados-nação, um palestino e outro judeu", explicou Netanyahu à NBC.


"Mas, em vez disso, deu um grande salto para trás e fez um pacto com o Hamas, uma organização terrorista que defende a destruição de Israel", acrescentou.

O Hamas, no poder em Gaza desde 2007 e que rejeita as negociações de paz com Israel, também é considerado uma "organização terrorista" pelos Estados Unidos e a União Europeia.

A Autoridade Palestina prometeu "estudar todas as opções para responder às decisões do governo israelense", segundo o negociador Saeb Erakat.

A liderança palestina irá se reunir neste fim de semana em Ramallah, na Cisjordânia, para discutir a crise. Entre as possibilidades analisadas pelos palestinos, está a adesão a novos tratados e organizações internacionais.

"Agora, a prioridade dos palestinos é a reconciliação e a unidade nacional", declarou à AFP Erakat.

Não é a primeira vez que as duas partes palestinas anunciam a formação de um governo de consenso. O Hamas e o Fatah, que tem sede na Cisjordânia, assinaram acordos de reconciliação em 2011 e 2012 para acabar com suas divisões, mas as eleições foram constantemente adiadas.

Erakat também acusou Israel de "roubo", já que impõe sanções contra a Autoridade Palestina congelando a transferência de impostos que recolhe em nome da Autoridade após os recentes pedidos de adesão da Palestina a 15 tratados e convenções internacionais.

"Este dinheiro nos pertence (...) A decisão de bloquear os fundos palestinos é roubo e pirataria que a comunidade internacional deve impedir", declarou.

Abbas iniciou nesta quinta-feira suas consultas para formar o "gabinete de consenso" que ele dirigirá e que será formado por personalidades independentes.

Ele recebeu o emissário norte-americano Martin Indyk, cujo país expressou sua "decepção" após o acordo de reconciliação e conversou por telefone com o secretário de Estado John Kerry, segundo fontes palestinas.

O departamento de Estado advertiu que a reconciliação palestina terá "evidentemente implicações" sobre a ajuda americana.

No exterior, a Turquia e a Tunísia comemoraram o acordo de reconciliação, enquanto o chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, expressou o apoio de sua organização a Abbas frente "às pressões israelenses".

Abbas explicou na quarta-feira (23) que as negociações com Israel e a reconciliação palestina não eram incompatíveis, reiterando o compromisso dos palestinos com a paz com base no direito internacional.

De acordo com Jibril Rajub, fonte próxima a Abbas, o "gabinete de consenso proclamará de maneira clara que aceita as condições do Quarteto" (Estados Unidos, Rússia, União Europeia, ONU). Este último exige do Hamas que ele reconheça Israel e renuncie à luta armada.

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