‘Jogo de dois níveis’: entenda estratégia que atrasa acordo de paz entre Irã e EUA
Segundo especialista, ambos os países tentam transferir a responsabilidade do conflito e não avançam nas negociações
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em entrevista a uma emissora norte-americana nesta quinta-feira (24) que os Estados Unidos devem decidir se querem encerrar a guerra no Oriente Médio. Ele ressaltou que o Irã não deseja o conflito e que, se as coisas podem ser resolvidas com diálogo, não deveria haver mortes.
Para o professor de relações internacionais Kleber Galerani, a fala é uma tentativa de transferir a responsabilidade pela continuidade do conflito. Segundo Pezeshkian, os iranianos estão dispostos a chegar a um acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda que defendam que Washington impôs a guerra a Teerã, instigado por Israel.
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“Parte da guerra é uma questão discursiva também”, afirma ao Conexão Record News. “Nós temos aqui, por parte do Irã, uma estratégia de dois públicos, aquilo que nós chamamos em relações internacionais de jogos de dois níveis. Nós temos uma combinação entre, no âmbito exterior, a disposição a negociar conforme está colocado nesse discurso na Assembleia Geral e, internamente, o Irã preserva a narrativa de que não aceitará um entendimento imposto pela força.”
Ele aponta que, por parte dos EUA, há uma atitude bastante semelhante — uma indicação de que existe disposição em negociar, mas que o Irã seria intransigente. “Nós temos uma manifestação pública por meio de declarações genéricas, sem compromissos verificáveis, no sentido de que haveria um desejo de um avanço para a paz. Entretanto, nós observamos que, se não houver cessão de parte a parte, teremos uma grande dificuldade em chegar a um acordo de paz a curto prazo”, diz.
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