Internacional Jornalista que invadiu telejornal russo para protestar contra guerra pode ficar presa por 10 dias

Jornalista que invadiu telejornal russo para protestar contra guerra pode ficar presa por 10 dias

Marina Ovsiannikova exibiu cartaz em transmissão ao vivo dizendo que o canal de TV estava mentindo aos telespectadores

AFP
Marina Ovsiannikova pode ficar presa por 10 dias

Marina Ovsiannikova pode ficar presa por 10 dias

Reprodução Facebook/Marina Ovsiannikova

A jornalista Marina Ovsiannikova, funcionária de um canal russo que invadiu um telejornal a favor do governo da Rússia para denunciar a ofensiva contra a Ucrânia, está sendo julgada nesta terça-feira (15) por ter se manifestado ilegalmente.

A audiência está em andamento, de acordo com o tribunal distrital de Ostankino, em Moscou, consultado pela AFP.

Se considerada culpada pela acusação de protesto ilegal, Ovsiannikova poderá enfrentar dez dias de prisão. Marina não foi imediatamente acusada do crime de publicar "informações falsas" sobre os militares russos, delito que prevê uma pena máxima de 15 anos de prisão.

No julgamento, Ovsiannikova se declarou inocente. "Não reconheço minha culpa", disse a jornalista no tribunal, segundo fontes da AFP. "Continuo convencida de que a Rússia está cometendo um crime... e que é o invasor da Ucrânia", acrescentou.

Mais cedo, seu advogado, Daniil Berman, chegou a considerar que sua cliente corria o risco de ser condenada no âmbito dessa nova lei.

"Há uma grande probabilidade de que as autoridades decidam dar um exemplo, para que outros críticos se calem", afirmou o advogado, explicando que ainda não conseguiu se reunir com sua cliente.

Ovsiannikova, natural de Odessa, na Ucrânia, trabalha na emissora Pervy Kanal (Channel One, para o Ocidente), muito próxima do poder russo.

Na noite desta segunda-feira (14), ela invadiu o noticiário e ficou atrás da apresentadora com um cartaz que dizia: "Não à guerra, não acredite na propaganda. Aqui eles estão mentindo a você".

No início de março, as autoridades russas aprovaram uma lei que pune a publicação de "informações caluniosas" sobre os militares russos com pena prevista de até 15 anos de prisão.

Ovsiannikova, mãe de dois filhos pequenos, poderia ser incluída nessa lei, segundo seu advogado. Nesta terça, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, chamou o ato de "vandalismo".

Em um vídeo gravado antes de entrar no noticiário, Ovsiannikova explicou que seu pai é ucraniano, e sua mãe, russa, e que ela não suporta a disseminação de "mentiras" que transformam russos em "zumbis".

Desde então, sua conta no Facebook recebeu dezenas de milhares de mensagens de apoio. Hoje, um porta-voz do chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, elogiou seu gesto.

"Ela assumiu uma postura moral corajosa e ousou se opor às mentiras e propagandas do Kremlin ao vivo e na televisão controlada pelo Estado", disse Peter Stano.

Também nesta terça, o governo francês declarou estar disposto a oferecer "proteção consular" à jornalista russa. O presidente Emmanuel Macron que pediu que a Rússia esclareça sua situação.

"Vamos iniciar medidas para oferecer proteção a ela, na embaixada, ou de asilo", disse Macron à imprensa, garantindo que vai propor isso a seu homólogo russo, Vladimir Putin, em sua próxima conversa com ele por telefone.

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