Jornalistas turcos são condenados por 'colaboração com o terrorismo'
Entre os condenados estão dois dos repórteres veteranos mais conhecidos da Turquia que trabalhavam em um jornal de linha de oposição
Internacional|Da EFE

Um tribunal de Istambul condenou nesta sexta-feira (27) sete jornalistas opositores turcos a penas de dois a três anos e meio de prisão por "colaboração com uma organização terrorista", em alusão ao séquito do pregador islâmico Fethullah Gülen.
Entre os condenados - a três anos e meio - estão dois dos jornalistas mais conhecidos da Turquia, Emin Çölasan e Necati Dogru, repórteres veteranos e colunistas do jornal de linha opositora Sözcü.
Quatro outros jornalistas e um contador do mesmo jornal receberam sentenças de dois anos e três anos e quatro meses, informou a agência de notícias estatal Anadolu.
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Oposição ao islamismo
Os jornalistas condenados negaram qualquer ligação com Gülen, que Ancara considera responsável pela tentativa fracassada de golpe de Estado em 2016, e ressaltaram a firme oposição à ideologia islâmica.
Ao anunciar a sentença, o jornal Sözcü enfatizou que "lutou contra a irmandade durante dez anos" e que já havia criticado Gülen duramente quando o pregador, exilado nos Estados Unidos, ainda era influente nos círculos governamentais e o maior aliado do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.
O Sözcü, que com uma tiragem diária de 240 mil exemplares é um dos jornais mais vendidos da Turquia e conhecido pelas suas posições laicas e anti-governameno, chamou a sentença de "vergonhosa" e "essencialmente um julgamento contra o jornalismo".
O jornal vai recorrer contra a sentença em um tribunal superior, de modo que os condenados não tenham que ir para a prisão por enquanto.
De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Turcos, 108 jornalistas e funcionários da mídia estão atualmente na prisão, ou sob pena de prisão ou aguardando julgamento.










