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Justiça alemã inicia julgamento de neonazista acusada de matar 10 pessoas

Essa é a primeira vez que se aplica o termo terrorismo a assassinatos cometidos pela extrema direita na Alemanha

Internacional|Do R7

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Horas antes do início do julgamento, grupos de manifestantes de esquerda se reuniram perante a Audiência Territorial de Munique com cartazes para cobrar total esclarecimento do caso
Horas antes do início do julgamento, grupos de manifestantes de esquerda se reuniram perante a Audiência Territorial de Munique com cartazes para cobrar total esclarecimento do caso KAI PFAFFENBACH/REUTERS
Beate, de 38 anos, chegou à audiência vestida com um traje formal e aparentando serenidade
Beate, de 38 anos, chegou à audiência vestida com um traje formal e aparentando serenidade CHRISTOF STACHE/AFP

Entre grandes medidas de segurança e protestos em frente à Audiência Territorial de Munique, a Justiça alemã iniciou nesta segunda-feira (6) o julgamento da neonazista Beate Zschäpe, única sobrevivente do grupo Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU, na sigla em inglês) e que é acusada de terrorismo e assassinato múltiplo.

Beate, de 38 anos, chegou à audiência junto com um grande desdobramento midiático, já que na Alemanha a presença da imprensa é autorizada durante os minutos que antecedem o início formal do processo.

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Vestida com um traje formal e aparentando serenidade, a acusada olhou brevemente os presentes ao entrar na sala e, depois de conversar com sua defesa, formada por três jovens advogados, voltou a ficar de costa para o público.

Além de Beate, outros quatro suspeitos também deverão ser julgados, todos sob a acusação de cumplicidade com o NSU, a célula neonazista que é apontada como autora do assassinato de nove imigrantes — oito turcos e um grego —, assim como uma agente da polícia, entre 2000 e 2007.

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Horas antes do início do julgamento, grupos de manifestantes de esquerda se reuniram perante a Audiência Territorial de Munique com cartazes para cobrar total esclarecimento do caso e a suposta responsabilidade dos corpos de segurança alemães, dados os múltiplos erros nas investigações.

Essa é a primeira vez que se aplica o termo terrorismo a assassinatos cometidos pela extrema direita na Alemanha.

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Beate foi presa de maneira preventiva no dia 8 de novembro de 2011, quando se entregou após ter incendiado a casa onde tinha convivido com os outros dois membros da NSU, Uwe Böhnhard e Uwe Mundlos. Seus dois companheiros foram encontrados mortos quatro dias antes em uma caminhonete.

Os neonazistas foram mortos pela polícia depois de terem roubado um banco.

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Na casa que aparentava ser a sede do grupo, situada em Zwickau, no leste do país, as autoridades encontraram provas e, inclusive, a arma utilizada para assassinar nove imigrantes em diferentes pontos do país, enquanto a própria Beate divulgou macabros vídeos antes de se entregar.

Os três neonazistas financiavam o grupo com assalto a bancos e, além dos dez assassinatos que Beate é acusada, o grupo cometeu mais dois atentados com bomba em Colônia entre 2001 e 2004, os quais deixaram mais de 20 feridos.

O julgamento iniciado hoje na Alemanha desperta grande atenção da imprensa por que, indiretamente, a eficácia das forças de segurança frente à extrema-direita também está sendo analisada. 

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