Líderes sul-americanos exigem desculpas da Europa por desvio de avião boliviano
Internacional|Do R7
Por David Mercado
COCHABAMBA, Bolívia, 5 Jul (Reuters) - Os presidentes latino-americanos mais antagônicos aos Estados Unidos exigiram na quinta-feira explicações e desculpas da Europa pelo incidente com o presidente boliviano, Evo Morales, cujo avião foi desviado sob suspeitas de levar a bordo o fugitivo norte-americano Edward Snowden.
França e Portugal impediram a aeronave presidencial boliviana de sobrevoar seus territórios, em uma odisseia que forçou o avião a pousar em Viena, na Áustria, para abastecer e traçar outra rota de voo após negociar com Itália e Espanha.
O episódio desatou a fúria da América do Sul e acendeu as faíscas de uma disputa diplomáticas entre a região e a Europa.
O mal-estar dominou a reunião de presidentes na cidade boliviana de Cochabamba, convocada dentro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para apoiar Morales, mas com ausências notórias de Colômbia, Chile e Peru.
Durante o encontro, os presidentes de Argentina, Uruguai, Equador, Venezuela, Suriname e Bolívia criticaram os países que atenderam o que chamaram de uma ordem dos Estados Unidos, pediram explicações e desculpas públicas de França, Portugal, Itália e Espanha, além de apelar a organismos internacionais que se pronunciem sobre o caso.
"A inaceitável restrição à liberdade do presidente Evo Morales Ayma, convertendo-no virtualmente em um refém, constitui uma violação de direitos, não apenas do povo boliviano, mas de todos os países e povos da América Latina", disseram os países em declaração conjunta ao concluir a reunião.
"E estabelece um perigoso precedente em matéria de direito internacional vigente", acrescentaram.
No encontro oficial, os presidentes garantiram que a situação vivida por Morales foi uma afronta sentida na própria carne.
"Para ser gentil, eles meteram as mãos pelos pés, erraram", disse o presidente do Uruguai, José Mujica, em sua participação na reunião. "Quando isso é feito, você tem que mostrar a cara, assumir a responsabilidade e dizer isso à comunidade internacional, e não nos enganar."
Embora a presidente Dilma Rousseff não tenha participado do encontro devido à conjuntura interna brasileira, foi quem enviou até agora a mensagem mais dura ao advertir que o incidente compromete as relações entre a América Latina e a União Europeia, um importante sócio comercial da região.
Uma fonte do governo brasileiro disse à Reuters que o episódio, em particular, poderia pesar sobre as negociações de livre comércio entre a UE e o Mercosul.
(Reportagem adicional de Daniel Ramos, em La Paz; de Anthony Boadle, em Brasília; de Helen Murphy, em Bogotá; de Diego Oré e Mario Naranjo, em Caracas; de Alexandra Valencia, em Quito; e de Guido Nejamkis, em Buenos Aires)












