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Magnata chinês ligado a esquema de fraude de bitcoin envolvendo ‘abate de porcos’ é preso

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Chen Zhi operava centros de golpes online no Camboja

Internacional|Do R7

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  • Chen Zhi, magnata chinês, foi preso acusado de liderar um esquema de fraude com bitcoin que teria roubado US$ 11 bilhões.
  • O golpe, conhecido como "abate de porcos", envolve criar relacionamentos falsos online para enganar vítimas a transferirem criptomoedas.
  • A prisão ocorreu no Camboja a pedido da China, e Chen pode ser extraditado, mas seu futuro legal é incerto devido à falta de um tratado formal com os EUA.
  • O esquema utilizava trabalhadores vítimas de tráfico humano, forçados a aplicar golpes, enquanto Chen e seu grupo negam as acusações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Chen Zhi foi detido na terça-feira por autoridades locais a pedido da China
Chen Zhi foi detido na terça-feira por autoridades locais a pedido da China Reprodução/X

Um magnata nascido na China e procurado pela Justiça dos Estados Unidos por envolvimento em um esquema bilionário de fraude com bitcoin foi preso na Ásia, segundo autoridades locais. Chen Zhi é acusado de liderar uma rede criminosa que teria roubado ao menos US$ 11 bilhões em criptomoedas por meio do golpe conhecido como ‘abate de porcos’ - fraude com criptomoedas que envolve a criação de relacionamentos falsos pela internet.

Chen é presidente do conglomerado multinacional Prince Group, com sede no Camboja. De acordo com o governo cambojano, ele foi detido na terça-feira por autoridades locais a pedido da China, no âmbito da cooperação no combate ao crime transnacional. Em seguida, foi extraditado para território chinês, segundo informou o Wall Street Journal.


O Ministério do Interior do Camboja confirmou a prisão, mas não esclareceu se Chen será formalmente indiciado na China. Naturalizado cambojano, ele vinha sendo procurado pelos Estados Unidos desde outubro, quando o Departamento de Justiça anunciou acusações de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro contra o empresário.

Na ocasião, as autoridades americanas apreenderam 127.271 bitcoins ligados ao esquema, que na época estavam avaliados em cerca de US$ 15 bilhões. Desde então, o valor da criptomoeda caiu quase 30 por cento. Segundo os promotores, os recursos roubados foram usados para financiar um padrão de vida de luxo, incluindo relógios caros, obras de arte, iates, jatos particulares e imóveis de alto padrão.


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Entre os bens congelados estão uma mansão em Londres avaliada em US$ 16 milhões, um prédio comercial de US$ 126 milhões no distrito financeiro da cidade e uma pintura de Picasso comprada em Nova York. Chen e o Prince Group negam todas as acusações.

Durante a consumação do golpe, os criminosos passam semanas ou meses conquistando a confiança das vítimas, muitas vezes fingindo interesse romântico ou sucesso financeiro, antes de convencê-las a transferir criptomoedas para plataformas de investimento fraudulentas. Quando as vítimas tentam sacar os valores, descobrem que perderam todo o dinheiro.


Segundo o Departamento de Justiça, Chen operava grandes centros de golpes online no Camboja, que utilizavam trabalhadores vítimas de tráfico humano e trabalho forçado. As autoridades afirmam que o Prince Group controlava ao menos dez complexos fraudulentos no país, onde milhares de pessoas eram mantidas contra a própria vontade e forçadas a aplicar golpes em vítimas nos Estados Unidos, no Reino Unido e em pelo menos uma dúzia de outros países.

De acordo com os investigadores, muitos desses trabalhadores foram recrutados com promessas de empregos legítimos, tiveram os passaportes confiscados e passaram a sofrer ameaças, agressões físicas e confinamento caso não atingissem metas de fraude. Os promotores afirmam que esses trabalhadores também devem ser considerados vítimas.


Em comunicado divulgado em outubro, a procuradora-geral Pam Bondi afirmou que a ação das autoridades americanas teve como objetivo desmantelar “um império criminoso construído sobre trabalho forçado e engano”. Segundo ela, os Estados Unidos usarão “todas as ferramentas à sua disposição para defender as vítimas, recuperar os bens roubados e levar à justiça aqueles que exploram os vulneráveis para obter lucro”.

Procuradores federais do Brooklyn afirmam que Chen usava os pseudônimos Vincent e orquestrou “um vasto império de fraudes cibernéticas operando sob o guarda-chuva do Prince Group, uma organização criminosa construída sobre o sofrimento humano”. Em documentos judiciais, o Departamento de Justiça afirma que agentes do esquema contatavam vítimas por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais e as convenciam a transferir criptomoedas com promessas falsas de altos retornos.

A China não mantém um tratado formal de extradição com os Estados Unidos, o que torna incerto se Chen poderá ser transferido para responder às acusações em um tribunal americano. Extradições entre os dois países são raras e costumam ocorrer por meio de acordos diplomáticos pontuais.

O governo dos Estados Unidos também acusa Chen e o Prince Group de usar influência política e pagar subornos para evitar responsabilização criminal na China. As investigações continuam, e os promotores afirmam que seguem em busca do confisco definitivo das criptomoedas apreendidas e da identificação de outros integrantes da rede criminosa.

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