Marechal Hafter anuncia ter assumido o controle político da Líbia
Líder da maior parte das forças militares do país, Hafter está prestes a romper o cessar-fogo promovido pela ONU e tentar controlar definitivamente o país
Internacional|Da EFE

O marechal Khalifa Hafter, chefe do governo não reconhecido pela comunidade internacional no leste da Líbia, anunciou nesta segunda-feira (27) que o conselho militar que ele comanda se prepara para assumir o controle político do país.
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Com isso, Hafter vai se desvincular definitivamente do pacto forçado pelas Nações Unidas, em 2015, na cidade de Skhirat, no Marrocos e que impôs a formação do atual Governo do Acordo Nacional (GNA) com sede em Trípoli.
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Em um breve discurso transmitido pela televisão, o polêmico militar, que comanda também o Exército Nacional da Líbia (LNA), não detalhou que tipo de governo pretende liderar e simplesmente enfatizou que está respondendo ao que acredita ser um desejo da população.
"Queremos anunciar que o comando geral ouviu a vontade do povo, e que, apesar da enorme responsabilidade, do tamanho e das muitas obrigações que isso significa, aceitaremos a vontade popular", declarou.
Os motivos do conflito
Ex-integrante da liderança do golpe militar que derrubou o rei Idris no final dos anos 70, Hafter foi recrutado pela CIA (agência de inteligência americana) e transferido para os Estados Unidos no final dos anos 80, quando era oficial sênior do exército de Muammar Kadafi. Com isso, tornou-se um dos principais opositores do ditador no exílio.
O marechal retornou à Líbia em março de 2011, apenas um mês e meio após o início da rebelião popular que nove meses derrubou o regime do ditador.
Em 2014, o militar foi nomeado chefe do LNA pelo Parlamento eleito nesse ano nas urnas. Entretanto, as tropas tiveram que fugir para a cidade de Tobruk depois que o governo em Trípoli não reconheceu a derrota eleitoral.
A ONU então lançou um processo de paz fracassado que terminou em dezembro de 2015 em Skhirat com um acordo para a formação de um governo na capital assinado apenas por grupos minoritários de ambos os lados. Contudo, nem o antigo governo islâmico, nem o Parlamento liderado por Hafter, que inclui elementos salafistas, aceitaram o pacto.
Desde então, a guerra civil e o caos dominaram o país africano. De um lado ficaram as tropas comandadas por Hafter e apoiadas por Rússia, Emirados Árabes, Jordânia, Arábia Saudita e Egito. De outro, o governo apoiado pela ONU, que com ajuda econômica e militar de Itália, Catar e Turquia.
O confronto armado se intensificou em abril do ano passado, quando Hafter cercou a sede do governo na capital. Desde então, quase 2 mil pessoas morreram, cerca de 350 civis, aproximadamente 20 mil foram feridas e mais de 200 mil se viram forçadas a deixar suas casas.













